quem é favorecido com abstenções em alta em 2026

Aproximadamente 30 milhões de eleitores podem deixar de votar no primeiro turno das eleições de 2026, caso a abstenção repita o patamar registrado em 2022. Em uma disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), esse contingente pode ser decisivo para o resultado do pleito do próximo domingo (4). Mas os analistas ouvidos pela reportagem divergem sobre qual dos candidatos tende a ser mais favorecido pela ausência desses eleitores nas urnas.

Para o cientista político Murilo Oliveira, há uma corrente de análise segundo a qual uma abstenção mais elevada poderia prejudicar Lula, beneficiando Flávio, porque parte do eleitorado petista ou de esquerda está concentrada em segmentos que historicamente apresentam taxas maiores de não comparecimento às urnas: idosos e pessoas com menor escolaridade. “O cenário é incerto, mas existe essa tendência de o mesmo perfil ir menos às urnas em 2026”, afirma.

Para o cientista político Gustavo Alves, uma base eleitoral mais mobilizada e engajada pode ser beneficiada quando cresce a ausência de eleitores menos motivados, o que poderia favorecer Flávio Bolsonaro.

“Assim, antes mesmo de se conhecer a taxa efetiva de comparecimento, a abstenção se transforma em uma das principais variáveis para compreender a fotografia das urnas e de qual eleitor é mais fiel”, destaca.