quando a burocracia se torna uma ameaça à liberdade

Há uma doença brasileira que quase ninguém percebe porque já se tornou parte da paisagem: a compulsão de regulamentar. Para quase tudo existe uma lei. Depois vêm decretos, resoluções, portarias, instruções normativas, interpretações administrativas… E, quando finalmente o cidadão acredita ter entendido o que pode fazer, descobre que existe mais uma regra dizendo como, quando, onde e por quanto tempo ele pode fazê-lo.

É a “normaléia”: uma espécie de diarreia normativa que transforma a Sociedade em cliente forçado permanente de um Estado que parece incapaz de deixar qualquer atividade humana sem regulamentação.

O fenômeno não é pequeno. Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) apontou que, entre a Constituição de 1988 e 2025, foram editadas mais de 8 milhões de normas, numa média de centenas de novas regras por dia útil. O próprio IBPT relaciona essa complexidade ao aumento dos custos de conformidade e às dificuldades enfrentadas por cidadãos e empresas.

O tema deste artigo foi provocado por uma das regras eleitorais que, isoladamente, pode parecer apenas um detalhe. Mas é mais do que isso. A legislação permite a utilização de bandeiras ao longo das vias públicas, desde que sejam móveis e não prejudiquem o trânsito de pessoas e veículos. Até aí, perfeitamente compreensível. O espaço público precisa ser organizado.