Nunes Marques sofreu pressão para se afastar de julgamento

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), sofreu pressões em múltiplas frentes antes de se declarar impedido de votar na sessão que definiria se Alexandre de Moraes será investigado por corrupção. Marques recebeu mensagens ameaçadoras do ministro Gilmar Mendes pelo WhatsApp, visitas de Moraes e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e foi alvo de um vazamento que revelou pagamentos do Banco Master ao seu filho.

A ofensiva começou uma semana antes do julgamento, no dia 8, quando Gilmar Mendes mandou mensagens ordenando que Nunes Marques e Luiz Fux saíssem do processo. Ela culminou um dia antes do julgamento com vazamentos de pagamentos do Master ao advogado Kevin de Carvalho Marques.

Para o cientista político Leonardo Volpatti, especialista em risco político e relações governamentais do escritório Volpatti e Associados, a pressão sobre Nunes Marques teve objetivo claro: beneficiar Alexandre de Moraes no julgamento da última terça-feira (15).

“Esse afastamento tinha ainda consequência objetiva para a correlação de forças do Tribunal. A discussão foi suspensa com quatro votos a três contra a união dos processos de Moraes e Mendonça. Se Nunes Marques acompanhasse a posição de André Mendonça, a corrente passaria a cinco votos contra três. Isso não significa que haveria automaticamente cinco votos para investigar Moraes. Mas demonstra que a ausência de Kassio no julgamento teve relevância numérica real”, apontou.