Calando Renan Santos, Toffoli mostrou que deseja ser o editor da eleição

Distantes estão os dias em que se acreditava que “a intervenção da Justiça Eleitoral deve ser mínima, em preponderância ao direito à liberdade de expressão dos candidatos, das candidatas e do eleitorado”, como disse em 2022, ao tomar posse na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes – que deu a primeira marretada nas próprias palavras, ao agir de forma diametralmente oposta ao discurso durante aquele pleito. Agora, a censura e o silenciamento se tornaram lugar comum, a ponto de um ministro como Dias Toffoli ter calado quase que totalmente, ainda que por pouco mais de 24 horas, um candidato à Presidência da República: Renan Santos, do Missão.

Segundo Toffoli, Renan teria informado tardiamente alguns perfis de mídias sociais, que não estavam na lista que todos os candidatos precisam obrigatoriamente enviar ao TSE quando registram sua candidatura; essa ocultação teria o objetivo de burlar as restrições a que as contas vinculadas à campanha estão sujeitas – por exemplo, os algoritmos das plataformas não podem recomendá-las aos usuários que não são seus seguidores. A suposta omissão daria ao candidato uma vantagem sobre seus concorrentes, mas o que Toffoli fez para “remediar” essa situação passou completamente dos limites da razoabilidade: na segunda-feira, o ministro praticamente suspendeu toda a campanha de Renan, impedindo publicações nas mídias sociais (inclusive das contas que haviam sido declaradas corretamente) e proibindo o candidato de participar de debates ou sabatinas em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação. Os repasses do fundo eleitoral à campanha também foram bloqueados. No fim da tarde de terça-feira, Toffoli recuou em praticamente tudo, mantendo apenas as restrições às contas que não estivessem registradas no sistema do TSE.

Dias Toffoli, que já se proclamou “editor de um país inteiro”, quis também ser o editor da eleição, decidindo sozinho que poderia silenciar um candidato ao principal cargo do país

Por pouco mais de 24 horas, Renan Santos foi um candidato amordaçado, limitado a atos presenciais que poderiam bastar se ele estivesse disputando um cargo de vereador, mas não para quem almeja a Presidência da República. Tudo isso porque Dias Toffoli, que já se proclamou “editor de um país inteiro”, quis também ser o editor da eleição, decidindo sozinho que poderia silenciar um candidato ao principal cargo do país, em uma campanha de tiro curto na qual cada dia conta muito, com uma decisão aberrante na forma e no conteúdo.