O primeiro boletim Focus divulgado após a reeleição do presidente Lula (PT), nesta terça-feira (3), mostra que a projeção do mercado para a inflação de 2027 passou para acima do teto da meta. A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2027 foi de 4,34% para 4,76%.
A piora das expectativas não ficou restrita ao curto prazo. Os participantes do levantamento também passaram a projetar inflação de 3,98% em 2029. No Focus anterior, a projeção era de 3,50%.
Ao mesmo tempo, o mercado desfez suas expectativas para uma queda acelerada nos juros. A estimativa para a taxa Selic no fim de 2027 subiu de 11,75% para 12,50%.
O resultado ocorre em meio ao debate sobre uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para mudar a forma de definição da taxa básica de juros. Ele propõe a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e, em condições normais, uma faixa para a Selic entre 3% e aproximadamente 5,5%. A taxa poderia ultrapassar esses limites em situações excepcionais.
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Lara Resende sustenta que os juros elevados são um dos principais responsáveis pelo crescimento do custo da dívida pública e propõe uma redução programada da Selic. Durante uma fase de transição, a taxa seria reduzida para aproximadamente 7,5% em cerca de 12 meses.
Enquanto o Focus projeta uma Selic de 12,5% no fim de 2027, portanto, a proposta de Lara Resende estabelece uma trajetória que levaria a taxa para perto de 7,5% aproximadamente um ano após a adoção do novo regime.
O relatório divulgado pelo Banco Central mostra que as projeções da Selic para 2028 e 2027 tiveram as maiores altas, em pontos percentuais, entre os indicadores percentuais do boletim. Para 2028, a estimativa saltou de 10% para 11%, alta de um ponto percentual. Para 2027, foi de 11,75% para 12,50%, avanço de 0,75 ponto.
Na sequência aparece a projeção da dívida líquida do setor público em relação ao PIB. Para 2028, a estimativa passou de 76,60% para 77,20%, alta de 0,60 ponto percentual. Para 2029, foi de 79,13% para 79,69%, avanço de 0,56 ponto.
As comparações são feitas com as medianas do Focus anterior. Aquele boletim tinha como data de referência 23 de outubro, sexta-feira anterior ao segundo turno. O relatório atual considera as expectativas registradas até 30 de outubro, permitindo incorporar atualizações feitas pelo mercado depois da reeleição de Lula.

