O governo japonês intensificou sua aliança estratégica com a Índia ao receber a maior delegação comercial da história do país vizinho. O movimento busca reformular as cadeias de suprimentos globais e garantir segurança econômica diante da polarização mundial. Sob a gestão da primeira-ministra Sanae Takaichi, Tóquio planeja investir cerca de 70 bilhões de dólares em território indiano nos próximos dez anos.
Qual é o principal objetivo da aproximação econômica entre Tóquio e Nova Delhi?
O foco central dessa aliança é a diversificação estratégica para reduzir o que especialistas chamam de ‘Risco China’. Embora o Japão não pretenda substituir totalmente o mercado chinês, o governo busca construir alternativas seguras em setores sensíveis. A ideia é evitar que interrupções no fornecimento de produtos essenciais se transformem em crises de segurança nacional. Com o crescimento da Índia superando os 6% ao ano, enquanto a China enfrenta desaceleração e problemas no setor imobiliário, Nova Delhi se tornou o destino ideal para o capital japonês que busca resiliência.
Quais setores tecnológicos estão no centro dessa parceria bilateral?
As duas nações priorizam áreas de alta tecnologia como semicondutores (chips), inteligência artificial e minerais críticos. O Japão é reconhecido mundialmente por sua força na fabricação de equipamentos e materiais básicos para a produção de eletrônicos, enquanto a Índia oferece uma vasta capacidade em engenharia, design e um mercado consumidor gigantesco. Essa união já resulta em projetos práticos, como parcerias entre as fabricantes Renesas e Tokyo Electron com empresas indianas, visando criar uma indústria local completa de montagem, testes e fabricação de componentes.
Como os países lidam com a dependência de minerais críticos vindos da China?
Apesar do esforço de independência, ambos os países ainda dependem da China para obter grande parte dos insumos farmacêuticos e minerais necessários para tecnologias avançadas. Para mitigar essa vulnerabilidade, o Japão e a Índia estabeleceram um sistema de cooperação mútua: o governo indiano realiza o mapeamento e a exploração de novos depósitos minerais dentro de seu próprio território, enquanto o Japão transfere tecnologias de ponta e envia especialistas para auxiliar nesse processo. O objetivo é criar polos regionais de packaging e equipamentos que garantam autonomia.
Quais vantagens competitivas a Índia oferece para atrair empresas japonesas?
A Índia combina uma demografia favorável, com uma população jovem abundante, a incentivos fiscais agressivos, como o Programa PLI (Incentivo Ligado à Produção). Esse programa oferece subsídios massivos para setores estratégicos, o que já atraiu gigantes como a Apple e agora seduz o setor empresarial japonês. Além disso, a infraestrutura indiana está sendo modernizada com ajuda japonesa, como visto na construção do primeiro trem-bala do país, que ligará Mumbai a Ahmedabad utilizando tecnologia de ponta do Japão, consolidando uma relação que começou timidamente nos anos 80.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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