Argumento de Messias contra bets contrasta com tese progressista sobre aborto e drogas

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que “a existência de clandestinidade não demonstra, por si só, que a legalização seja a melhor resposta”. A fala ocorreu na audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as bets, nesta terça-feira (3). A linha argumentativa contrasta com uma das premissas usadas por setores progressistas na defesa da legalização e regulamentação da cannabis e da descriminalização do aborto.

Um dos argumentos das entidades contrárias à proibição é de que retirar as bets da regulamentação criada ao longo dos anos abriria margem para a clandestinidade, gerando plataformas sem controle de idade, travas contra as apostas compulsivas ou outras exigências. Assim, defendem que o ideal seria manter o regime anterior, com uma existência registrada e regulamentada.

Para Messias, o risco merece atenção, mas não implicaria em uma “obrigação constitucional de manter a atividade autorizada”.

“O raciocínio pode ser testado em outros campos: a existência de comércio clandestino de armas ou de medicamentos falsificados não obriga o Estado a permitir sua livre comercialização. Cada atividade exige disciplina própria, mas nenhuma ganha legitimidade apenas pela dificuldade em combatê-la”, complementa.