O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (12), em Dublin, que um eventual conflito entre Reino Unido e Argentina pelas Ilhas Malvinas seria um “desastre em potencial”. Ainda assim, ao comentar a possibilidade de uma nova guerra pelo arquipélago, semelhante à de 1982, Trump disse que acredita ser capaz de solucionar a situação caso seja chamado a intervir.
“Tenho certeza de que me ligarão para intervir nesse potencial desastre, mas, se o fizerem, provavelmente conseguirei resolver a situação”, afirmou Trump a jornalistas após se reunir com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin.
Segundo o presidente americano, Reino Unido e Argentina estão atualmente “irritados” um com o outro. Trump também demonstrou dúvidas sobre a disposição britânica para uma eventual reação diante da distância entre as ilhas e o Reino Unido.
De acordo com informações da Agência EFE, ao recordar que os britânicos assumiram o controle das Malvinas em 1833, Trump afirmou que o país enfrenta atualmente problemas internos relacionados à imigração e à energia. “(Os britânicos) têm um pequeno problema com a imigração, com a energia e outros problemas a resolver, então não sei se estarão dispostos a viajar tão longe. Estamos falando de semanas de viagem de navio”, disse.
A questão das Malvinas ganhou intensidade nas últimas semanas depois de o próprio Trump afirmar que estava revendo a posição dos Estados Unidos sobre o arquipélago. A manifestação teria encorajado o presidente argentino, Javier Milei.
Recentemente, o governo argentino iniciou procedimentos administrativos e apresentou uma queixa criminal contra diversas empresas petrolíferas britânicas por suas atividades nas ilhas. Londres, por sua vez, afirmou buscar uma relação “construtiva” com Buenos Aires, mas reiterou que sua posição sobre a soberania das Malvinas não é negociável e que a decisão cabe exclusivamente aos habitantes do arquipélago.
As ilhas são administradas pelo Reino Unido desde 1833, enquanto a Argentina mantém a reivindicação de soberania. Em 2013, um referendo realizado entre os habitantes das Malvinas registrou 99,8% de votos favoráveis à manutenção do status de Território Ultramarino do Reino Unido.
Unificação da Irlanda
Durante a mesma passagem por Dublin, Trump também declarou que “adoraria” ver a Irlanda unificada. O presidente americano afirmou que acredita que isso “vai acontecer mais cedo ou mais tarde” e reconheceu que o Reino Unido “terá algo a dizer a respeito”. “Eu adoraria ver (a Irlanda) unificada. Acho que seria uma grande conquista para todos se isso acontecesse. Mais cedo ou mais tarde vai acontecer”, disse.
A declaração provocou reação de um porta-voz de Downing Street, segundo o qual um eventual referendo sobre a fronteira é uma questão de competência do secretário de Estado britânico para a Irlanda do Norte e somente deverá ser considerado diante de uma mudança suficiente na opinião pública.
A Irlanda está dividida entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido, desde 1921. A questão esteve no centro dos Troubles, conflito entre nacionalistas e unionistas que terminou politicamente com o Acordo da Sexta-Feira Santa, em 1998. O líder do Partido Unionista Democrático, Gavin Robinson, afirmou que o futuro constitucional da Irlanda do Norte será decidido por sua população, e não por declarações feitas em Londres, Dublin ou Washington.
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