TCU aprova alíquota da CBS em 11,3% e Brasil pode ter maior IVA do mundo

Nesta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou uma alíquota de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O valor superou as projeções iniciais do governo, que giravam em torno de 9%, gerando preocupação entre empresas e especialistas. A medida visa garantir a arrecadação federal durante a transição para o novo modelo de impostos no Brasil.

O que é a CBS e como ela funciona no novo sistema?

A CBS, ou Contribuição sobre Bens e Serviços, é um novo tributo federal criado para simplificar o sistema brasileiro. Ela vai substituir impostos antigos e conhecidos, como o PIS e a Cofins. No novo modelo, chamado de IVA dual, o Brasil terá dois grandes impostos: a CBS, que fica com a União, e o IBS, que será dividido entre estados e municípios. A ideia central é cobrar o imposto apenas sobre o valor que cada etapa da produção adiciona ao produto, evitando que o consumidor pague imposto sobre imposto, um problema crônico que encarece o custo de vida no país atualmente.

Por que o Brasil pode passar a ter o maior imposto do mundo?

Com a nova alíquota da CBS fixada em 11,3% pelo TCU e a estimativa de 18,7% para o IBS (estados e municípios), a soma total do imposto sobre o consumo chegaria a 30%. Segundo rankings internacionais, esse patamar colocaria o Brasil no topo da lista de países com a maior carga tributária sobre bens e serviços, superando inclusive a Hungria, atual recordista. O governo pretendia manter a taxa em 26,5%, mas a necessidade de manter a arrecadação e compensar os benefícios dados a setores específicos acabou empurrando o cálculo para cima, frustrando quem esperava alívio no bolso.

Qual o motivo da alíquota ter ficado acima do esperado?

A explicação técnica para esse aumento está nas exceções aprovadas pelo Congresso. Para que o governo não perca dinheiro, o cálculo precisa ser equilibrado: se muitos setores pagam menos ou têm isenção, os outros precisam pagar mais para fechar a conta. O TCU realizou uma calibragem técnica para garantir que a arrecadação futura seja igual à média histórica de tributos como PIS, Cofins e IPI. Como foram concedidos muitos benefícios tributários e descontos para áreas específicas, a alíquota padrão acabou sendo ‘inflada’ para compensar essas perdas e garantir os cofres públicos.