Risco-país cai ao menor nível desde 2020 após as eleições

A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais e a formação de um Congresso conservador provocaram alívio imediato na percepção de risco sobre a economia nacional. Na sexta (9), o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil — indicador central do risco-país — recuou para 110 pontos, menor nível desde fevereiro de 2020, antes da pandemia da Covid-19. O movimento sinaliza otimismo com a estabilização fiscal. Mas a consolidação exige reformas e governança no Congresso.

A queda do risco reflete uma mudança nas expectativas: o mercado passou a apostar em uma condução liberal a partir de 2027. O resultado de 4 de outubro reorganizou a precificação dos ativos. O alívio aproximou o indicador brasileiro do patamar do México (94 pontos).

Contudo, a distância nos fundamentos permanece relevante. O México desfruta de grau de investimento pelas três maiores agências globais (S&P, Moody’s e Fitch). O Brasil segue na categoria especulativa. A disparada dos mercados na semana seguinte ao pleito — com a Bolsa acumulando alta de 9,29%, aos 209.967 pontos, e o dólar comercial recuando 4,43%, de R$ 5,22 para R$ 4,98 — decorre da antecipação de cenários, não de uma transformação já concretizada nas contas públicas.

As razões da queda do risco-país

A leitura dominante entre analistas é que a virada eleitoral reduz a probabilidade de continuidade do modelo baseado no expansionismo fiscal. A Eurasia Group elevou as chances de vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno para 80%, com base na migração de votos de centro-direita e de indecisos. Esse favoritismo atua como catalisador de otimismo pela expectativa de aprovação de reformas estruturais.