Atenção: O texto abaixo possui conteúdo sensível, relacionado a abusos sexuais e violência; recomenda-se discrição.
Uma mulher sobreviveu a uma tentativa de execução com injeção letal nos Estados Unidos na quarta-feira (30). O caso aconteceu no estado do Tennessee.
A Suprema Corte dos Estados Unidos havia autorizado a ação, que seria a primeira execução de uma mulher no estado em 200 anos. Pike havia sido condenada em janeiro de 1995 por assassinato.
Essa situação renova as críticas contra a pena de morte nos EUA — ao todo, 27 estados ainda aplicam essa penalidade no país.
Quem é Christa Pike, que sobreviveu à injeção letal nos EUA?
Christa Pike tem 50 anos e foi condenada por um assassinato que cometeu em 1995, aos 18 anos.
Segundo os advogados, ela foi vítima de violência, negligência e abuso sexual na infância, incluindo dois estupros sofridos aos 11 e aos 17 anos.
De acordo com o site “Mercy for Christa” (Misericórdia para Christa, em tradução livre), Pike foi repetidamente espancada e vítima de abusos por parte do pai, da avó materna e de vários namorados da mãe.
O primeiro estupro que sofreu ocorreu aos 11 anos, por um homem que morava perto da família. O site também pontua que, pouco tempo depois, Pike tentou o suicídio por meio de uma overdose com remédios.
O segundo foi cometido por um homem desconhecido na rua.
Os advogados de Christa Pike também citaram diagnósticos recebidos na prisão de transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático.
Além disso, apontaram evidências de que a mãe dela consumia álcool em excesso durante a gravidez, contribuindo para um desenvolvimento cerebral deficiente que dificultava o controle dos impulsos de sua cliente quando jovem.
Qual foi o crime cometido por Christa Pike?
Em 1994, Christa Pike inscreveu-se em um programa de treinamento para trabalho em Knoxville. De acordo com o “Mercy for Christa”, ela queria ser enfermeira.
Em janeiro de 1995, ela, o namorado Tadaryl Shipp (então com 17 anos) e uma terceira pessoa mataram Colleen Slemmer, uma colega de 19 anos do programa de treinamento, em uma área remota do Campus Agrícola da Universidade do Tennessee.
De acordo com a agência Reuters, o assassinato incluiu tortura. Além disso, o grupo gravou um pentagrama no peito da vítima e levou um pedaço de seu crânio como “troféu”, o que atraiu intensa cobertura da mídia na época.
Pike e Shipp confessaram o crime, e ambos foram condenados por homicídio em primeiro grau.
Ela foi condenada em 1996 à pena de morte e se tornou a pessoa mais nova no corredor da morte, de acordo com o Departamento de Correções do Tennessee.
Pike também foi condenada, em agosto de 2001, por tentativa de homicídio em primeiro grau após agredir outra detenta, segundo o Departamento de Administração Penitenciária.
De toda forma, alguns especialistas se declararam contrários à execução de Christa Pike, citando a idade na qual ela cometeu o crime e os abusos que sofreu na infância.
“A execução de Pike marcaria o desfecho de uma trajetória de intenso sofrimento físico e psicológico, marcada por abusos na infância e por quase três décadas de confinamento solitário no corredor da morte”, afirmaram especialistas da ONU.
De acordo com as Nações Unidas, eles também já haviam manifestado “sérias preocupações” quanto ao método e às circunstâncias da execução de Pike, destacando que a injeção letal elevaria o risco de sofrimento físico.
*com informações da Reuters

