Por que os protestos violentos são tão comuns na França

Na noite de sábado, 17 de outubro, o campanário e parte do telhado da prefeitura de Limoges, prédio inaugurado em 1883, desabaram depois que um grupo encapuzado quebrou as vidraças, entrou e ateou fogo ao subsolo e ao térreo. Horas antes, cerca de 550 mil pessoas tinham marchado pela França contra o custo de vida, segundo o Ministério do Interior, numa mobilização que terminou com lojas saqueadas em Paris e Marseille e levou o governo a pedir toques de recolher na segunda-feira. O suspeito preso na terça, 20, tem 34 anos e está fichado pelos serviços de inteligência por pertencer a um grupo extremista de esquerda.

Cenas assim já se repetiram na França em 2005 e em 2023, e a explicação não cabe numa causa só.

O quebra-quebra francês nasce do encontro de dois fatores: o primeiro é uma cultura política que romantiza as manifestações de rua e mantém uma certa complacência com atos de vandalismo. O outro é a desesperança de uma geração que tem ido às ruas não só na França, mas em outros países europeus.

Raízes históricas

A barricada é uma invenção parisiense, e mais antiga que a Revolução de 1789. Em 12 de maio de 1588, o Quartier Latin amanheceu coberto delas, erguidas pelos católicos de Paris contra o rei Henrique III, que acabou abandonando a cidade.