As cooperativas de distribuição de energia elétrica ocupam nove das dez primeiras posições no ranking nacional de satisfação dos consumidores em 2025. O modelo, que atende 3,5 milhões de pessoas em seis estados brasileiros, tem se destacado por oferecer tarifas reduzidas e serviços eficientes, especialmente em áreas rurais de Santa Catarina, onde a presença dessas organizações é mais forte.
Como as cooperativas conseguem oferecer tarifas de energia mais baratas?
A redução nos custos ocorre principalmente devido ao investimento estratégico em infraestrutura própria, como a construção de subestações e novas linhas de transmissão. Ao possuírem suas próprias subestações, as cooperativas conseguem se conectar diretamente ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e comprar energia no mercado livre, sem depender exclusivamente de uma única concessionária. Em Santa Catarina, por exemplo, esse movimento permitiu que o custo do megawatt-hora caísse drasticamente, e cada real economizado pela gestão cooperativa é repassado diretamente como desconto na conta de luz dos associados.
Qual é a diferença entre uma concessionária e uma permissionária de energia?
As concessionárias são geralmente grandes empresas que assumem a distribuição de energia em regiões amplas por meio de contratos de concessão com o poder público. Já as permissionárias operam sob uma autorização mais simples e focada em áreas específicas, sendo que hoje todas as permissionárias no Brasil são cooperativas de eletrificação rural. Apesar de atuarem em regiões com menor densidade de consumidores e grandes distâncias, elas seguem os mesmos indicadores de qualidade e continuidade de fornecimento exigidos pela Aneel, garantindo que o serviço prestado seja eficiente e fiscalizado.
Por que o estado de Santa Catarina se destaca tanto nesse setor?
Santa Catarina concentra 22 das 52 cooperativas permissionárias do país, atendendo cerca de um milhão de pessoas. Esse sucesso é impulsionado por uma política fiscal que, desde 2024, reduz em 20% o ICMS cobrado dessas organizações, desde que o valor economizado seja reinvestido em melhorias na rede elétrica. Com esse incentivo governamental e acesso a crédito subsidiado, as cooperativas catarinenses realizaram obras de grande porte que resultaram em revisões tarifárias históricas, com reduções que chegaram a quase 50% no valor da conta de energia para os consumidores de certas regiões.
O que explica o alto índice de satisfação dos clientes das cooperativas?
A proximidade entre a distribuidora e o consumidor, que tecnicamente é um associado e ‘dono’ do negócio, é o principal fator. No Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC) de 2025, as permissionárias alcançaram uma média de 71,19 pontos, superando significativamente as concessionárias. Esse desempenho é atribuído à qualidade do atendimento, à agilidade operacional e à forte relação com as comunidades locais. Além disso, as cooperativas estão acompanhando a urbanização e expandindo suas atividades para a geração compartilhada de energia solar, mantendo o foco no benefício coletivo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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