Palestinos fazem vigília para jornalistas mortos em ataque a hospital

Palestinos em Khan Younis, na Faixa de Gaza, reuniram-se nesta terça-feira (25) no Hospital Nasser para uma vigília marcando o primeiro aniversário da morte de jornalistas atingidos por disparos israelenses no local, um ano antes.

Israel atacou o Hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza, em 25 de agosto de 2025, matando pelo menos 20 pessoas, incluindo cinco jornalistas que trabalhavam para a Reuters, a Associated Press, a Al Jazeera e outros veículos.

“Eles não eram números; eram vidas que conviviam conosco. Cada um deles tinha um sonho, uma esperança, um lar, filhos e esposa. Eles viviam suas vidas, mas a ocupação [referindo-se a Israel] os alvejou sem outro motivo senão o fato de serem uma voz da verdade — o próprio símbolo dessa verdade”, disse Ezzeldin al-Masri, irmão do jornalista da Reuters Hussam al-Masri, morto enquanto operava uma transmissão de vídeo ao vivo no hospital.

Em um comunicado conjunto divulgado nesta terça, a editora-chefe da Reuters, Alessandra Galloni, e a editora-executiva da AP (Associated Press), Julie Pace, pediram ao governo de Israel que fornecesse uma explicação completa sobre o ocorrido.

“Pedimos novamente ao governo de Israel que explique as mortes desses jornalistas e tome todas as medidas necessárias para proteger os profissionais que cobrem o conflito. Continuaremos buscando respostas, exigindo responsabilização e pleiteando acesso a Gaza para oferecer apoio aos nossos colegas que cobrem a guerra há quase três anos”, dizia o comunicado.

Nos dias seguintes ao ataque, as forças militares de Israel afirmaram ter visado uma câmera do Hamas. Uma investigação da Reuters constatou que o equipamento pertencia, na verdade, à agência de notícias. Posteriormente, um oficial militar israelense declarou que as tropas haviam disparado sem a autorização necessária.

Questionadas, as forças militares de Israel informaram que o ataque ao Hospital Nasser estava sendo analisado por uma comissão interna; as conclusões seriam encaminhadas aos promotores militares, que decidiriam sobre a abertura de uma investigação criminal. O Exército não forneceu um prazo para essa definição.

Masri, de 49 anos, era um cinegrafista experiente; sua postura positiva, mesmo nas situações mais perigosas, o tornou querido pela comunidade unida de repórteres em Gaza, segundo colegas de profissão. Entre os jornalistas mortos também estavam Mariam Abu Dagga, que trabalhava como freelancer para a Associated Press e outros veículos; Mohammed Salama, que trabalhava para a emissora Al Jazeera, sediada no Catar; Moaz Abu Taha, jornalista freelancer que atuava com diversas organizações de notícias, inclusive colaborando ocasionalmente com a Reuters; e Ahmed Abu Aziz.

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