A liderança da oposição na Câmara dos Deputados classificou a operação contra o deputado federal Mário Frias (PL-SP) como “perseguição política” e cobrou explicações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino sobre os fundamentos que levaram à autorização das buscas.
Em nota assinada pelo deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e divulgada nesta quinta-feira (10), o grupo questiona qual “fato novo” teria justificado a medida em período eleitoral e voltou a pressionar o Senado pela análise de um pedido de impeachment contra Dino.
“Não é possível examinar o episódio isoladamente. A autorização partiu do mesmo ministro que, na véspera, atuando fora da turma competente, derrubou monocraticamente decisão já respaldada pela maioria de seus pares e contrariou o ministro André Mendonça, relator das investigações que mais incomodam Brasília”, diz um trecho.
Mais cedo, a oposição havia anunciado um pedido de impeachment contra Dino, baseado na decisão que confrontou a liminar de André Mendonça e reintegrou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. O presidente do Supremo, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões, mantendo os servidores no cargo, além de retirar de Moraes a relatoria do inquérito das fake news.
O impacto eleitoral das investigações também passou a ser citado por outros atores envolvidos na crise, embora em contextos distintos. Lula criticou “vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral” e defendeu a retirada integral do sigilo do caso Master. Dino, ao contestar a atuação de Mendonça, também mencionou a necessidade de cautela com decisões judiciais em período eleitoral. Já relatórios de inteligência usados por Moraes levantaram suspeitas de que Mendonça adotaria critérios pessoais ou políticos na condução de investigações.
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Operação ocorre após intervenção de Fachin para lidar com crise
A operação Make Up ocorre logo após a medida de Fachin para tentar arrefecer a crise interna sem precedentes na história da Corte. Além de Frias, a corporação executou outros 48 mandados de busca e apreensão emitidos por Dino. A investigação trata da suspeita do direcionamento de emendas parlamentares para o financiamento do filme Dark Horse.
Em março de 2026, Dino determinou que o deputado prestasse esclarecimentos sobre suspeitas de irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina.
Agora, a PF apura subcontratações realizadas pelo ICB com recursos públicos sem comprovação da execução dos serviços contratados, além de outras suspeitas na movimentação dos valores. A investigação busca determinar se parte dos recursos acabou beneficiando a produção do filme.
Frias destinou R$ 2 milhões ao ICB por meio de recursos de duas emendas de 2024, com R$ 1 milhão vinculado a cada projeto. De acordo com o convênio firmado, uma delas teria sido destinada ao projeto Lutando pela Vida, para aulas de jiu-jitsu em Pirassununga e São Paulo. A outra seria repassada ao projeto Jovem Empreendedor, com o intuito de promover o letramento digital e o empreendedorismo.
O Dark Horse também está nas apurações do caso Master, sob relatoria de André Mendonça. As suspeitas pairam sobre o patrocínio de Daniel Vorcaro, por meio de repasses ao fundo imobiliário Havengate, no Texas, intermediados pela Entre Investimentos, do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”.
Desde o início, Frias nega qualquer irregularidade. O parlamentar classifica a imputação como “puramente especulativa” e defende que o fato de o ICB e a Go Up terem à frente a mesma pessoa não basta para caracterizar uma triangulação ilícita. Ele ressalta que as emendas possuem toda a documentação exigida.

