Um projeto nascido do espírito curioso e o amor pelo mar compartilhado entre pai e filha deu origem a uma das entidades de preservação ambiental mais promissoras do mundo.
A Reef Renewal USA é uma iniciativa financiada pelo governo americano e está ajudando a recuperar os recifes de coral ameaçados pelo branqueamento, as mudanças na temperatura do mar e outras ameaças modernas.
O americano Ken Nedimyer apaixonou-se pelo oceano logo cedo e fez da pesca submarina sua fonte de renda principal durante o ensino superior. Formado, ele abriu um criadouro para peixes e invertebrados de água salgada que ajudou a sustentar sua família por décadas.
Durante seus mergulhos, ele começou a perceber a proliferação de corais em meio às pedras no fundo do mar. Eles sobreviviam mesmo diante de ameaças comuns na Flórida, como furacões e mudanças climáticas; quando Ken encontrava um quebrado, era possível “grudá-lo” de volta ao recife.
A ideia então surgiu: se os fragmentos de coral conseguiam voltar a crescer, seria possível cultivá-los fora do oceano, como ele fazia com peixes?
Nedimiyer compartilhou a ideia com sua filha. Na época, ela participava de um programa de desenvolvimento estudantil e nutria o mesmo amor pelo mar: a dupla decidiu, então, dar início a uma pequena “fazenda de corais” no quintal de casa.
A intenção inicial era vender os corais para composição de aquários. Mas aos poucos, de mergulho em mergulho, pai e filha perceberam um potencial maior.
Ken apresentou sua ideia às autoridades locais, levando corais que já havia cultivado em casa para o Santuário Marinho Nacional de Florida Keys. Mas levaram seis anos até ele obter permissão do governo para implantar a produção nos oceanos — a essa altura, ele já tinha mais de 5 mil corais crescendo em sua própria residência.
“A maioria acredita que os corais demoram muito para crescer, mas algumas destas espécies crescem muito rápido”, disse à CNN em 2012. “Rápido o bastante para fazer uma grande diferença ainda no meu tempo de vida.”
Nas décadas seguintes, ele transformou a prática em um modelo de cultivo replicável e fundou a Coral Restoration Foundation para organizar as atividades.
Os mais de 25 mil corais obtidos em seu “berçário” eram transferidos após um ano de cultivo para viveiros subaquáticos, onde podiam unir-se aos recifes existentes e prosperar.
O ano em que tudo mudou
O trabalho de Ken Nedimyer ganhou relevância ainda maior após uma tragédia que destruiu quase todos os corais da região, selvagens ou cultivados em fazendas.
O ano de 2023 trouxe uma onda de calor que esquentou as águas oceânicas e forçou o ativista a mudar de rota.
Com uma nova organização, chamada Reef Renewal USA, o mergulhador passou a priorizar espécies que demonstravam maior resistência às oscilações de temperatura: os corais-maciços.

Além disso, ele coletou amostras de corais menos resistentes para guardar em segurança em um viveiro climatizado, preservando seu material genético e evitando sua extinção.
“Antes, eu me sentia impotente vendo os corais morrerem”, contou o preservacionista. “Agora acredito que existem formas de todos ajudarem. Há esperança.”
Até hoje, a entidade recruta voluntários, estudantes de conservação ambiental e biologia marinha e outros cientistas para desenvolver novas tecnologias e ajudar no cultivo e implantação dos corais no fundo do mar.
A missão da Reef Renewal, segundo o site oficial, é repovoar os oceanos com corais resistentes produzidos em escala industrial, produzindo e plantando em quantidade que supera a que já existe naturalmente.
*Com informações de Lan Trinh, da CNN.

