o mundo tem de saber o que acontece no Brasil

Internamente não há mais nenhuma possibilidade de recuperação, e já repito isso faz anos; temos um novo regime, e ponto final. Qualquer coisa que a oposição tenha feito nos últimos sete anos não deu certo. Não adianta, mas alguns não aceitam a realidade, por um nacionalismo tribalista e ressentido, e acham uma vergonha que a solução deva chegar de fora. Preferem morrer de orgulho.

Já dei entrevistas para canais norte-americanos, suíços, dinamarqueses, argentinos, italianos etc. No exterior, ninguém sabe da perseguição política que existe aqui; ninguém sabe das pessoas que tiveram de fugir para outros países. Não sabem disso nem na Itália (onde estão Eduardo Tagliaferro e Carla Zambelli), nem nos EUA (onde estão Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueredo, Rodrigo Constantino, Allan dos Santos e Ludmilla Lins), nem na Espanha (onde está Oswaldo Eustáquio). Mas nesses países todos ouviram dizer que os Bolsonaro são extremistas, militaristas corruptos, destruidores da Amazônia e, claro, golpistas. Os marxistas dominam a narrativa externa: em todos os países do mundo, a versão mais aceita (e, na verdade, a única espalhada) é a versão deles. A direita simplesmente nem existe. Hoje, fora do Brasil, há uma única visão. O que esperaríamos que os estrangeiros pensassem?

No exterior, ninguém sabe da perseguição política que existe aqui, nem das pessoas que tiveram de fugir para outros países. Mas todos ouviram que Bolsonaro é golpista

Durante a ditadura militar, a esquerda, impedida de participar da política, focou nas ideias, na arte, na música, no cinema, nas letras, nas escolas e universidades. Os (auto)exilados comunistas no exterior espalhavam sua visão da realidade brasileira. Aplicaram Gramsci, e deu certo: depois de décadas, estamos vendo os resultados. O que precisaria fazer a direita? Nem precisaria reinventar a roda; bastava copiar, adaptando aos tempos modernos.