IA traz atriz Greta Garbo de volta para campanha publicitária; veja

A imagem gerada por IA da estrela de cinema de Hollywood dos anos 1930, Greta Garbo (1905-1990), entoa com suavidade em um anúncio inusitado para a fabricante sueca de rolamentos SKF.

O anúncio provocou debates, elogios e deboche, mas destaca como a IA sofisticada está invadindo cada vez mais a mídia, desde a escrita de roteiros até a animação.

Garbo, uma das estrelas mais famosas da “era de ouro” de Hollywood, morreu em 1990 aos 84 anos, embora tenha se aposentado dos filmes e da vida pública décadas antes, em 1941.

A SKF disse ter usado IA para “recriar” a estrela sueco-americana, que apareceu em um filme há mais de um século promovendo indústrias suecas no exterior, incluindo a própria SKF.

“Um dos meus primeiros filmes foi para a SKF, e agora estou de volta para o meu último”, diz a personagem gerada por IA, vestida com uma blusa acetinada na cor champanhe, no anúncio.

O sósia de Garbo não foi feito utilizando fotografias ou imagens de arquivo, informou a SKF. Questões de direitos autorais fizeram com que ele fosse criado por meio de comandos de texto (prompts), disse Per Nilsson, chefe de comunicação e marca da empresa.

Para a geração de imagem, os criadores usaram as ferramentas Seedream 5 Pro, da chinesa ByteDance, e Nano Banana Pro, do Gemini do Google. Já para o movimento, utilizaram o Seedance 2 e 2.5 da ByteDance, além do Kling AI, da empresa de tecnologia Kuaishou, sediada em Pequim, segundo a SKF.

A voz foi treinada com IA a partir da voz de Garbo em um de seus primeiros filmes — o único material de arquivo fornecido à IA para o qual a SKF obteve permissão —, enquanto um ator humano ajudou a acertar o ritmo e a cadência.

“Acho que fizemos isso de forma respeitosa”, disse Nilsson. A produção foi desenvolvida em colaboração com o espólio e a família de Greta Garbo.

Embora não seja a primeira vez que uma campanha utiliza a imagem de uma pessoa falecida para promover um produto, o anúncio destaca o que se pode alcançar atualmente, disse Henry Ajder, consultor e pesquisador de IA, classificando o fenômeno como “ressurreição sintética”.

“Esta é uma tendência que já vem acontecendo há alguns anos, e a IA a impulsionou enormemente”, disse ele.

Nem todos ficaram impressionados.

“Coitada da Greta Garbo”, escreveu o crítico de cinema Peter Bradshaw, do jornal britânico *The Guardian*, em uma avaliação de apenas uma estrela para o clipe, acrescentando que isso nos deu “mais um motivo para se ressentir da IA”.

Algumas estrelas atuais também estão cautelosas com essa tendência.

“Eu gostaria de evitar aparecer em um comercial de absorvente interno 20 anos depois da minha morte”, disse o ator George Clooney no Festival de Cinema de Veneza no mês passado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *