Gonet acusa Mendonça do que sempre tolerou em Moraes

Ao pedir a anulação das provas contra Alexandre de Moraes (STF), alegando que tinham sido produzidas por atuação ilícita de André Mendonça (ministro do mesmo tribunal) como juiz e investigador ao mesmo tempo, o Procurador-Geral da República (PGR) Paulo Gonet entrou em contradição com sua conduta anterior nos inquéritos conduzidos pelo próprio Moraes, dizem advogados ouvidos pela Gazeta do Povo

A manifestação foi dirigida por Gonet ao próprio Mendonça na terça-feira (1º) nos autos da Pet 16.662, relacionada às investigações das fraudes financeiras envolvendo o banco Master e o seu dono, o banqueiro Daniel Vorcaro.

No dia 24 de agosto, Mendonça tinha requisitado à Polícia Federal (PF) informações atualizadas sobre o andamento das investigações, com pedido específico quanto à identificação dos interlocutores de Vorcaro nas mensagens interceptadas pela polícia. A PF acabou identificando o ministro Alexandre de Moraes como um dos interlocutores. O PGR, Paulo Gonet, também tem o nome citado nas mensagens alvo da investigação, apresentadas pela PF em resposta ao despacho de Mendonça. 

“Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais”, escreveu Gonet nesta terça-feira (1º). O PGR advertiu que condutas judiciais do gênero podiam levar à anulação das investigações no STF: “Paradigmáticas decisões do Supremo Tribunal Federal não deixam dúvida de que a assunção pelo juiz de funções alheias às suas é causa de nulidade, que afeta os resultados da ação malsinada.”