Fachin precisa devolver inquérito do Master a Mendonça

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, continua trabalhando para finalmente encerrar o abusivo inquérito das fake news, a investigação que nunca deveria ter existido e que, ao longo de quase oito anos, serviu apenas para perseguir os adversários e críticos dos ministros, especialmente os do relator Alexandre de Moraes. Já pediu que a Polícia Federal termine as diligências ainda pendentes e, aos poucos, vem arquivando investigações. Fachin ainda faria um enorme bem ao país se levantasse totalmente o sigilo sobre tudo o que foi feito ao longo desses anos, para que o abuso ficasse evidente até mesmo para quem ainda nega todos os ataques à democracia cometidos por Moraes em nome da “defesa da democracia”. Mas esta não é a única frente em que o presidente do Supremo tem a chance de fazer o certo.

Em setembro, Fachin também assumiu a relatoria de duas investigações que estavam sob os cuidados de André Mendonça: o inquérito sobre a fraude bilionária cometida contra milhões de aposentados e pensionistas do INSS, e o inquérito sobre o escândalo do Banco Master – este último, como o Brasil todo já sabe, com ramificações que chegaram ao próprio Supremo. A primeira investigação foi devolvida a Mendonça no fim de outubro, mas a do Master continua retida na presidência da corte, sem motivo algum que o justifique; também ela precisa ser entregue de volta a seu relator original o quanto antes.

Tratar da mesma forma Alexandre de Moraes e André Mendonça, dando os mesmos “castigos” a um e a outro, não é justo, pois eles nem de longe podem ser tratados como equivalentes

Por mais que se compreenda a intenção de Fachin de impedir um agravamento da crise que tomou conta do Supremo, não se resolve esse tipo de disputa na base do igualitarismo puro e simples: se um ministro perdeu o inquérito que comandava, o outro deve perder também; se um ministro será investigado, o outro também deve sê-lo. Pode funcionar para um pai que tem de apartar uma briga entre filhos pequenos, mas não é assim que se fará verdadeira justiça capaz de resolver o caos no STF – por mais que seja essa a solução preferida da ala chicaneira da corte, como ficou evidente na vergonhosa sessão de 15 de setembro.