Expedição em ilha remota não encontra rastros do avião de Amelia Earhart

Uma expedição recente a uma ilha remota no Pacífico Sul, em busca de destroços do avião desaparecido de Amelia Earhart, não obteve resultados.

Pesquisadores informaram, nesta segunda-feira (19), que não encontraram “nenhuma evidência conclusiva” de que a célebre aviadora tenha pousado sua aeronave — um Lockheed 10E Electra — no pequeno atol, ou nas proximidades dele, situado ao sul da escala original de seu fatídico voo, ocorrido há quase 90 anos.

A expedição ao local, a ilha de Nikumaroro, foi uma iniciativa conjunta liderada pelo Archaeological Legacy Institute, sediado em Eugene, no Oregon, e pela Universidade Purdue, em West Lafayette, Indiana.

A equipe, composta por 17 pesquisadores e técnicos, chegou à ilha no dia 12 de outubro.

O objetivo principal era examinar um objeto de contornos indefinidos, conhecido como “Objeto Taraia”, situado em uma lagoa e detectado pela primeira vez em imagens de satélite em 2020.

O líder da equipe, o arqueólogo Rick Pettigrew, acreditava que a figura — que apresentava um formato semelhante ao de um avião — seria um destroço da aeronave de Earhart.

No entanto, a expedição “não encontrou evidências conclusivas que confirmassem a hipótese de que destroços” da aeronave de Earhart estariam “em uma lagoa, em um atol remoto no Pacífico Sul”, informou a Universidade Purdue em um comunicado à imprensa.

As evidências coletadas em Nikumaroro confirmaram que a anomalia visual, observada pela primeira vez em imagens de satélite há seis anos, tratava-se, muito provavelmente, de um conjunto de árvores de grande porte depositadas ao longo da faixa de areia da península. “Quando a equipe chegou ao local, boa parte dos detritos já havia se fragmentado e sido levada pela água”, diz o comunicado.

“As evidências que sustentam a hipótese do náufrago, a qual nos trouxe até aqui, continuam sendo muito, muito sólidas”, afirmou Pettigrew, diretor executivo da ALI, em um depoimento em vídeo. “Acreditamos ser muito provável que Amelia e seu navegador, Fred Noonan, tenham, de fato, ido parar aqui, na ilha de Nikumaroro.”

Steve Schultz, consultor jurídico e assistente de campo da Purdue, observou que, embora os pesquisadores pudessem descartar a hipótese, isso “não diminui a força dos argumentos já existentes — que são muito sólidos e convincentes — a favor da hipótese do náufrago”.

O mistério de Amelia Earhart

Earhart e Noonan desapareceram em 2 de julho de 1937, durante uma tentativa ousada de se tornar a primeira mulher a dar a volta ao mundo em um voo.

A dupla foi vista pela última vez decolando de Lae, na Nova Guiné, no que deveria ser uma jornada extenuante de 18 horas rumo à Ilha Howland, um minúsculo pedaço de terra no Oceano Pacífico.

O desaparecimento de Earhart é, talvez, o mistério mais fascinante da história da aviação; há décadas, historiadores e pesquisadores debatem como e onde ela desapareceu.

A principal corrente de pensamento — e a conclusão oficial da ampla busca liderada pelo governo dos Estados Unidos, realizada logo após o desaparecimento — sugere que o combustível de Earhart e Noonan acabou e que a aeronave Electra caiu no Pacífico, perto do destino pretendido.

Outros, como os líderes da expedição mais recente, suspeitam que Earhart e Noonan pousaram o avião a 644 quilômetros ao sul de Howland — na ilha de Nikumaroro ou nas proximidades dela — e tornaram-se náufragos, vindo, provavelmente, a falecer de sede ou fome.

Um foco na Ilha Nikumaroro

Esforços repetidos para encontrar o avião de Earhart, incluindo outras buscas nos arredores de Nikumaroro, não conseguiram revelar nada de novo.

“A ilha Nikumaroro foi alvo de buscas mais de 15 vezes, sem sucesso”, afirmou Dorothy Cochrane, especialista em Amelia Earhart e curadora aposentada do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian, em Washington, D.C.

“Eles são apenas mais um grupo que não encontrou nenhuma evidência concreta do Electra, de Amelia ou de Noonan em Nikumaroro”, disse ela, referindo-se à expedição mais recente.

Em 2024, a empresa de exploração oceânica Deep Sea Vision detectou, em imagens de sonar, uma forma semelhante a uma aeronave no oceano, a cerca de 160 quilômetros de Howland; no entanto, constatou-se que a figura era, na verdade, um conjunto de rochas.

Uma expedição a Nikumaroro realizada em 2019, liderada pelo oceanógrafo Bob Ballard — que encontrou o Titanic em 1985 —, também terminou em frustração.

Os pesquisadores americanos desta busca mais recente informaram que examinaram a lagoa de Nikumaroro com um magnetômetro — que detecta ferro — e utilizaram tecnologia de sonar para procurar objetos sob o sedimento no leito da lagoa.

“Alcançamos nosso objetivo principal, que era vir até aqui e testar essa hipótese”, disse Pettigrew no depoimento em vídeo.

Nikumaroro, que hoje faz parte da República de Kiribati, é uma ilha desabitada no Pacífico Sul, cercada por um recife de coral e habitada por enormes caranguejos-dos-coqueiros.

A ilha é tão remota que a equipe levou cinco dias para chegar até lá, por via marítima, partindo de Tarawa, a capital de Kiribati.

A Purdue Research Foundation financiou, originalmente, o Lockheed Electra de Earhart; a intenção de Earhart era que a aeronave fosse devolvida à Purdue após a conclusão de seu voo histórico, informou a universidade em um comunicado à imprensa.

Earhart estava perto de alcançar seu objetivo quando desapareceu. Ela já havia percorrido 35.405 quilômetros quando foi vista pela última vez, restando-lhe ainda 11.265 quilômetros a percorrer.

É improvável que a busca da Purdue pela aeronave de Earhart seja a última.

A empresa de exploração em águas profundas Nauticos está tentando arrecadar entre 8 e 10 milhões de dólares, montante necessário para financiar o que esperam ser a expedição definitiva no oceano ao redor da Ilha Howland.

A busca se concentrará em uma área delimitada com base em novas informações obtidas por meio de experimentos que utilizaram uma réplica do sistema de rádio de Earhart.

Desde 2002, a empresa já realizou três operações de busca nas proximidades da ilha.

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