O presidente argentino, Javier Milei, intensificou a reivindicação sobre as Ilhas Malvinas ao anunciar planos de sancionar empresas envolvidas na exploração de petróleo no território disputado.
O que são as Ilhas Malvinas?
As Malvinas são um arquipélago no Oceano Atlântico Sul, situado cerca de 500 km a leste do território continental argentino e a aproximadamente 13.000 km do Reino Unido. Elas consistem em duas ilhas principais — Malvina Oriental e Malvina Ocidental — e 778 ilhas menores.
O primeiro desembarque registrado nas ilhas ocorreu em 1690, realizado pelo capitão naval inglês John Strong. A Grã-Bretanha assumiu a posse formal da Malvina Ocidental em 1765 e, embora a França e a Espanha tenham mantido assentamentos nas ilhas em diferentes momentos, os britânicos reafirmaram seu controle em 1833 e as administram desde então.
As Malvinas, com uma população de cerca de 3.660 habitantes, possuem sua própria assembleia legislativa eleita para gerir assuntos internos. A maioria dos moradores é de origem britânica, embora a população também inclua pessoas de Santa Helena, do Chile e das Filipinas.
A economia é baseada principalmente em licenças de pesca, agropecuária e turismo.
Por que a Grã-Bretanha e a Argentina entraram em guerra pelas Malvinas?
A Argentina reivindica soberania sobre as ilhas argumentando que herdou o território da Espanha após a independência em 1816 e que a Grã-Bretanha assumiu o controle em 1833 por meio de um ato colonial ilegal.
O Reino Unido sustenta que os habitantes das ilhas têm o direito de decidir seu próprio futuro.
Em abril de 1982, o governo militar argentino, liderado por Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas, acreditando que a Grã-Bretanha não responderia com força militar.
No entanto, a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa naval e recuperou o controle após 74 dias de combates. A Argentina rendeu-se em junho de 1982, e a derrota acelerou a queda da junta militar argentina.
Ao todo, 649 argentinos morreram nos combates, assim como 255 militares britânicos e três habitantes das Ilhas Malvinas.
O conflito foi um momento decisivo para Thatcher, que enfrentava dificuldades no governo antes da guerra.
A vitória foi celebrada com entusiasmo pela imprensa britânica e reforçou a confiança nas forças armadas, após um período em que seu poderio global havia sido amplamente questionado.
O conflito — e a reivindicação contínua do Reino Unido sobre as ilhas — gerou um profundo ressentimento na Argentina, que persiste até hoje.
Os Estados Unidos tentaram mediar a situação inicialmente, mas depois apoiaram o Reino Unido com inteligência, logística e acesso a instalações militares.
A França, que havia fornecido mísseis à Argentina antes da guerra, impôs posteriormente um embargo de armas a Buenos Aires e prestou apoio de inteligência e logística ao Reino Unido durante o conflito.
Qual é a situação das ilhas hoje?
O Reino Unido ainda reivindica a soberania sobre as Malvinas e mantém presença militar no local, incluindo uma base aérea em Mount Pleasant.
A Argentina, com o apoio da China, continua a defender sua reivindicação por meio de canais diplomáticos e organismos internacionais, como as Nações Unidas. Os dois países restabeleceram relações diplomáticas após a guerra, mas as negociações sobre a soberania permanecem estagnadas.
Em um referendo realizado em 2013, 99,8% dos eleitores apoiaram a permanência sob domínio britânico, com uma participação de cerca de 92%. O Reino Unido cita a votação como prova da vontade dos habitantes das ilhas e afirma que não discutirá a soberania sem o consentimento deles.
A Argentina rejeitou o referendo, alegando que a população foi estabelecida no local após o Reino Unido assumir o controle em 1833.
Na última semana, Milei anunciou planos de apresentar uma legislação para aumentar as penalidades contra empresas que operam nos arredores das ilhas sem autorização argentina, incluindo produtoras de petróleo, acionistas, diretores e fornecedores.
Ele afirmou que o desenvolvimento do campo de petróleo Sea Lion, ao norte das ilhas, representava uma ameaça aos interesses argentinos.
O que diz a ONU?
A ONU classifica as Malvinas como um território não autônomo e tem pedido repetidamente que o Reino Unido e a Argentina retomem as negociações para resolver a disputa de forma pacífica.
O organismo internacional não emitiu parecer sobre a soberania e não reconhece nenhuma das reivindicações como definitiva.
A Argentina apresenta a questão na ONU como uma disputa de descolonização. O Reino Unido afirma que esse princípio não se aplica, pois os habitantes das ilhas constituem uma população estabelecida.
Por que a questão é relevante para a geopolítica?
A China, que estreitou laços com a Argentina nos últimos anos, manifestou apoio à reivindicação argentina, defendendo a realização de negociações.
Os Estados Unidos, de modo geral, têm evitado tomar partido na questão da soberania desde 1982. O site do Departamento de Estado informa que as ilhas são administradas pelo Reino Unido, ao mesmo tempo em que registra a reivindicação argentina.
No entanto, em 2026, Trump afirmou que sua administração estava reavaliando essa posição e questionou se o Reino Unido ainda teria capacidade para defender as ilhas.
A Reuters noticiou anteriormente que uma reavaliação da política dos EUA em relação às Malvinas estava entre as opções sendo consideradas como parte de uma revisão mais ampla das relações com aliados da Otan.
O presidente argentino, Javier Milei — que adota uma postura fortemente pró-EUA e construiu uma relação de proximidade pública com Trump —, declarou que a Argentina mantém sua reivindicação sobre as Malvinas, mas descartou o uso da força, afirmando que a questão deve ser tratada por vias diplomáticas.

