Direita terá dificuldade de conter STF se não impedir reeleição de Alcolumbre

A principal batalha da direita no próximo ciclo político deve ser pelo comando do Senado. Sem controlar a presidência da Casa, a bancada conservadora corre o risco de permanecer incapaz de transformar sua força numérica em poder efetivo para conter o Supremo Tribunal Federal (STF). Para isso, a direita precisará impedir a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP), principal responsável por blindar a Corte e seus ministros.

A disputa é estratégica porque o presidente do Senado detém amplo controle sobre a agenda legislativa. Cabe a ele decidir o que avança e o que permanece engavetado, influenciar a tramitação de propostas destinadas a limitar o poder da Corte e conduzir a análise de pedidos de impeachment de ministros do STF – que se encontram parados, apesar do interesse de grande parte dos senadores.

A principal barreira para esse objetivo pode ser justamente o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que busca preservar sua posição na Casa. O peso político de Alcolumbre não é recente e já vem crescendo há alguns anos. Ele presidiu o Senado entre 2019 e 2021 e, após ser impedido pelo STF de disputar a recondução na mesma legislatura, articulou a eleição de seu fiel escudeiro Rodrigo Pacheco, que permaneceu no cargo por dois mandatos consecutivos. De volta à presidência, pretende disputar a reeleição se utilizando da forte influência que tem sobre as principais estruturas de poder do Senado.

O poder de Alcolumbre tem se manifestado também recentemente em sua capacidade de construir e bloquear pautas. O senador participou de articulações decisivas como a rejeição histórica de Jorge Messias para o cargo de ministro do STF, mesmo após a liderança do governo no Senado confiar em sua aprovação. Também conduziu Rodrigo Pacheco ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, articulando para que a indicação fosse votada diretamente no plenário sem passar por sabatina em comissão. Na reta final da campanha eleitoral, ainda conseguiu acelerar a votação de um pacote de propostas de interesse de Lula, incluindo o fim da escala 6×1 e o perdão de dívidas de MEIs, enquanto segurou projetos defendidos pela direita.