Direita brasileira disputa contra Lula e também entre si

Triste a sina da dita direita brasileira, que passou os últimos quatro anos dizendo que precisava encontrar um nome capaz de derrotar Lula e, quando chegou a hora de procurá-lo, descobriu uns quantos reivindicando a função, nenhum com absoluta certeza de que é capaz de fazê-lo. Não é novidade. A direita, que propõe a defesa da família tradicional, nunca foi mais do que uma reunião de parentes que se toleram durante o almoço de domingo porque têm o que chamam de inimigo em comum. O problema é que o inimigo eclipsou o referencial de agenda alternativa. Combater Lula e o PT tornou-se um fim em si mesmo.

A oposição a Lula não produziu uma direita politicamente coesa. Sem fio condutor a nortear um projeto político alternativo, a reunião de liberais, conservadores, empresários, militantes, religiosos, lavajatistas e descrentes na política tradicional apenas reforçou distinções quase inconciliáveis entre muitos subgrupos que tinham, ao longo de suas respectivas trajetórias, o antipetismo como único elo comunicante.

A política tem, como se sabe, o mau hábito de se tornar mais complexa depois que se vence. O preço pago pelos antipetistas foi o retorno de Lula ao poder. Como estes parecem não ter aprendido e nem esquecido nada, a fatura política pode vir dobrada em 2026.

Uma eleição presidencial não é vencida apenas pelo candidato que melhor representa seu grupo.