A ADPF reagiu nesta terça-feira ao afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de inteligência Leandro Almada, determinado pelo ministro do STF André Mendonça. A entidade aponta irregularidades processuais na decisão monocrática, alegando que a medida atropela ritos legais ao se basear em punições disciplinares que ainda nem sequer haviam sido formalmente abertas contra os chefes.
Por que os delegados consideram a decisão de André Mendonça um erro jurídico
A associação explica que o ministro utilizou artigos do Código de Processo Penal e de uma lei recente que exigem a existência de um inquérito, ação penal ou processo administrativo disciplinar já em andamento. No entanto, no momento em que o afastamento foi ordenado, nenhum desses procedimentos havia sido formalmente instaurado contra Andrei Rodrigues ou Leandro Almada. Para os delegados, essa antecipação de punição sem a base legal correta fragiliza a justiça e desrespeita o devido processo legal, que é o direito de ser processado seguindo todas as regras da lei.
Qual é a recomendação da entidade sobre quem deve decidir esse tipo de punição
A ADPF defende que a retirada do comando máximo da Polícia Federal é uma medida de extrema gravidade e, por isso, não deveria ser feita por apenas um ministro de forma isolada, o que chamamos de decisão monocrática. Segundo os delegados, o afastamento só teria validade e segurança jurídica se fosse decidido pelo plenário do STF, ou seja, pelo conjunto de todos os ministros. Essa cautela é vista como essencial para preservar a autoridade do tribunal e evitar que as investigações atuais sofram nulidades, que é quando um ato judicial é cancelado por ter sido feito fora das normas.
Como a instabilidade política afeta o trabalho cotidiano da Polícia Federal
Os delegados alertam que o Brasil está mergulhado em crises institucionais recorrentes que colocam a corporação no centro de disputas políticas. O problema principal, segundo a nota, é que a direção da PF ainda está submetida a critérios de escolha que dependem da confiança política do momento. Isso gera um ambiente de incerteza, onde o comando da polícia, responsável por investigar as mais altas autoridades do país, fica vulnerável a pressões e mudanças bruscas baseadas na conjuntura do governo, em vez de focar exclusivamente na missão técnica de polícia de Estado.
Quais mudanças os delegados sugerem para garantir a independência da polícia
A solução definitiva apresentada pela associação é a inclusão de uma maior autonomia para a Polícia Federal diretamente no texto da Constituição. O plano prevê três pilares fundamentais: autonomia administrativa, financeira e funcional. Além disso, eles propõem que o diretor-geral tenha um mandato fixo e seja escolhido pelo presidente a partir de uma lista tríplice votada pelos próprios delegados. Esse modelo, que já é usado no Ministério Público e no Judiciário, serviria para proteger os servidores de pressões externas e garantir que as investigações criminais sejam imparciais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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