como o Direito virou campo de batalha entre as nações

Quando os Estados Unidos classificaram facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, a discussão parecia restrita à segurança pública. Não é. Essa decisão revela algo muito maior: vivemos uma época em que decisões jurídicas produzem efeitos geopolíticos e decisões geopolíticas moldam o próprio direito.

Sanções econômicas, listas de terrorismo, cooperação internacional, combate à lavagem de dinheiro e controle financeiro global mostram que o Direito deixou de ser apenas um instrumento interno dos Estados. Ele passou a integrar a própria disputa estratégica internacional. Essa nova realidade exige uma nova forma de compreender o fenômeno jurídico. É justamente nesse contexto que surge o geodireito.

A geopolítica é o estudo que permite compreender o controle político de um determinado espaço, tendo como foco a questão da correlação de forças (militar, econômica, tecnológica, cultural e social) no âmbito territorial.

Os conflitos entre Estados não se restringem ao âmbito militar, mas abrangem conflitos econômicos, sociais, culturais e até simbólicos. Nesse sentido, enquanto as geopolíticas clássicas foram desenvolvidas por militares, com ênfase na guerra e na força militar, as novas geopolíticas (pós-Guerra Fria) são elaboradas por historiadores (Kissinger, Kennedy), sociólogos (Huntington, Fukuyama), geógrafos (Taylor), cientistas políticos (Brzezinski) e economistas (Thurow, Ohmae), concentrando-se em questões econômicas, sociais e culturais.