O Observatório do Clima (OC), ONG porta-bandeira da promoção do catastrofismo climático no Brasil, divulgou a sua contribuição para o debate eleitoral em curso, com uma pauta para o que chama de reindustrialização do país.
Ninguém questiona que o tema é dos mais relevantes para o futuro imediato da economia brasileira, mas a agenda proposta pelo OC, cujo financiamento provém, em grande medida, de fontes privadas e governamentais dos EUA e da Europa, é enfocada no mais que equivocado conceito de “descarbonização” da economia, motivado por uma inexistente emergência climática global.
Assim, não é surpresa que o documento intitulado Propostas para a política ambiental brasileira Eleições 2026 – Tema: Reindustrialização e novas tecnologias de baixo carbono afirme categoricamente que “é necessário descarbonizar para reindustrializar”.
O motivo: “A indústria é responsável por uma parcela significativa do consumo energético e das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no país, especialmente na produção de ferro-gusa e aço, na produção de cimento e na produção e no uso de hidrofluorcarbonetos.”
Porém, segundo o OC, ninguém precisa ficar apreensivo com o (falso) dilema entre reindustrializar e “enfrentar as mudanças climáticas”, pois “o Brasil possui vantagens comparativas importantes”. Entre elas: “(…) A ampla disponibilidade de fontes renováveis, que podem ser alavancadas para atrair investimentos e fortalecer políticas como a Nova Indústria Brasil (NIB) e a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), além de impulsionar cadeias produtivas alinhadas à transição energética.”
De fato, um dos seis eixos estratégicos da NIB é a transição energética e a descarbonização orientadas para energias “limpas”, termo que, no léxico “descarbonizador”, aponta preferencialmente para a geração eólica e solar, o hidrogênio “verde” e os biocombustíveis. Mas os estrategistas do OC querem mais: “Contudo, cabem ajustes nesse plano, especialmente com relação à garantia de empregos verdes (sic) e salvaguardas ambientais, além de metas claras para a adoção de fontes renováveis de energia.”
Entre as recomendações, duas se destacam:
Primeira: “O uso de gás e de outros combustíveis fósseis na indústria deve ser reduzido em taxa e em velocidade definidas de acordo com as características de cada subsetor industrial. Isso deve ser concretizado mediante a substituição por outras fontes de energia, como hidrogênio verde, biomassa e eletricidade (grifos nossos). (…)”
Segunda: “O fortalecimento de cadeias e rotas tecnológicas de baixo carbono é essencial para orientar a transformação da indústria de forma integrada e previsível. Isso envolve a organização de cadeias produtivas que incorporem tecnologia e inovação, agregação de valor e menor intensidade de carbono, desde a produção de insumos até o produto final (grifos meus). (…)”
Em essência, a agenda “descarbonizadora” visa a estabelecer a intensidade de carbono como o parâmetro fundamental das atividades econômicas, indústria à frente, tema consolidado na TSB. Para tanto, a chamada transição energética constitui um elemento-chave.
A substituição acelerada do petróleo, gás natural e carvão mineral é uma evidente inviabilidade tecnológica e econômica
Todavia, mesmo deixando de lado o fato de ser construída sobre uma demanda artificial – a inexistente crise climática –, a substituição acelerada do petróleo, gás natural e carvão mineral como combustíveis de alta densidade energética e insumos industriais é uma evidente inviabilidade tecnológica e econômica, especialmente nos segmentos críticos da petroquímica, do cimento, dos plásticos e dos fertilizantes, que de modo algum podem ser atendidos por fontes de baixa densidade e eficiência energéticas – eólicas, solares ou hidrogênio “verde”.
Realidade que já é percebida em um número crescente de países industrializados e em desenvolvimento, começando pelos EUA de Donald Trump, mas também, cada vez mais, por países europeus que apostaram naquelas fontes energéticas.
Mas a proposta do OC tem pelo menos um ponto positivo: a recomendação contrária ao investimento em tecnologias de captura, utilização e estocagem de carbono (conhecidas pela sigla em inglês CCUS – carbon capture, utilization and storage). De forma até surpreendente, o documento as qualifica como “soluções de alto custo, elevado risco tecnológico e limitada capacidade de escala no curto e médio prazo” – nada a discordar disso.
Todavia, no atacado, a adoção da agenda proposta pelo OC colocaria o Brasil no caminho oposto ao pretendido pelos “combatentes das mudanças climáticas”: um aprofundamento do preocupante processo de desindustrialização que acomete o país desde a década de 1990 – cuja reversão tem como um dos requisitos, precisamente, o abandono da antidesenvolvimentista “agenda verde”.

