Lula faz uso eleitoral de PEC da Segurança construída pela oposição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se apropriou da PEC da Segurança Pública como mais uma bandeira de campanha para tentar conquistar votos às vésperas do segundo turno. A versão aprovada pela Câmara, no entanto, foi construída sob liderança da oposição e acrescentou medidas de endurecimento penal que não constavam da proposta original do Planalto.

A votação no Senado, prevista para esta quinta-feira (15), acabou adiada. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirou a proposta de pauta após um impasse sobre emendas que previam a redução da maioridade penal. Ao anunciar a decisão, afirmou que aguardaria um entendimento entre os senadores sobre o texto.

Desde 2025, Lula tenta capitalizar politicamente a demanda popular por mais rigor no combate ao crime. O presidente passou a adotar um discurso menos leniente em relação a criminosos e agora explora essa mudança de tom na disputa com Flávio Bolsonaro.

O governo enviou a PEC ao Congresso em abril de 2025, mas com foco em ampliar o papel da União na coordenação da segurança pública. Na Câmara, Mendonça acrescentou medidas de maior rigor contra facções e criminosos violentos – por exemplo, prisão em estabelecimentos de segurança máxima e possibilidade de restringir progressão de regime, saídas temporárias e liberdade provisória.