A esquerda odeia religião. Mas, se precisar, usa

“A religião é uma espécie de má aguardente espiritual, na qual os escravos do capital afogam a sua imagem humana, as suas reivindicações de uma vida minimamente digna do homem.” (Vladimir Lênin)

Em 2024, levantei uma bola aqui, nesta Gazeta do Povo, sobre a relação da esquerda com os evangélicos, após o show da cantora Madonna em Copacabana e os comentários odiosos de esquerdistas exultantes pelas já um tanto batidas provocações da Rainha do Pop ao cristianismo. Inclusive, repito aqui uma frase dita por mim, à época, no X: “Daqui a dois anos, durante a campanha presidencial, veremos: ʻentenda por que os evangélicos votam na ~extrema direita~ʼ. Ou: ʻpor que os evangélicos rejeitam a esquerda?ʼ. Aí os sociólogos e palpiteiros de esquerda nem vão precisar explicar. É [só] pegar meia dúzia de tuítes de 04/05/24”.

Pois bem, o tempo chegou e, como citei recentemente, os cristãos – sobretudo os evangélicos – são uma força política impossível de ignorar, para o bem e para o mal. E o governo de esquerda que, por princípio, vê a religião como mero exercício de poder e opressão saiu a campo para tentar cooptar os crentes. Após a Janja, toda “recatada e do lar”, cantar o jingle de campanha em companhia do pastor esquerdista Kleber Lucas, Lula teve um encontro com pastores e reclamou do uso político da fé – enquanto fazia exatamente isso.

Esquerdistas, de uma hora para outra, passaram a ser carolas de procissão, e Lula se tornou praticamente um congregado mariano