OAB pede afastamento de Paulo Gonet de investigação que envolve Alexandre de Moraes

O Conselho Federal da OAB e presidentes de todas as seccionais estaduais protocolaram no Supremo Tribunal Federal um pedido para afastar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, de um caso sensível. A ação foca em mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, após relatórios da Polícia Federal apontarem possíveis ligações pessoais de Gonet com o caso.

Por que a OAB quer afastar o procurador-geral da República do caso?

A entidade argumenta que Paulo Gonet não possui a neutralidade necessária para atuar como fiscal da lei nesta investigação específica. Isso ocorre porque o próprio procurador-geral foi citado em relatórios da Polícia Federal. Segundo as apurações, o empresário Daniel Vorcaro teria financiado uma viagem do filho de Gonet para Londres em 2025. Além disso, o procurador teria mantido conversas com o dono do Banco Master por meio de um intermediário. Para a OAB, como Gonet foi intimado pelo ministro Edson Fachin a dar explicações sobre esses fatos, ele se torna parte interessada e não pode agir com imparcialidade.

Quem deve assumir as funções de Gonet segundo o pedido da entidade?

A petição protocolada no Supremo sugere que as manifestações da Procuradoria-Geral da República passem a ser assinadas pelo vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand. Essa substituição é prevista legalmente quando o titular enfrenta algum tipo de impedimento ou suspeição. O objetivo central da advocacia brasileira é garantir a chamada ‘neutralidade processual’. Em termos simples, isso significa assegurar que quem analisa o caso não tenha ligações pessoais com os investigados ou com os fatos narrados, permitindo que a justiça seja aplicada de forma justa e sem influências externas ou familiares.

Qual é a posição da advocacia sobre o Inquérito das Fake News?

O Colégio de Presidentes da OAB reforçou o pedido para que inquéritos de duração indefinida sejam encerrados e arquivados definitivamente. O destaque principal vai para o Inquérito 4.781, popularmente conhecido como Inquérito das Fake News, que já tramita no STF há sete anos. A entidade defende que investigações não podem ser eternas e precisam ter um escopo bem definido. Para os advogados, o sistema de Justiça precisa de clareza e respeito aos prazos, evitando que procedimentos ‘expansivos’ continuem abertos sem uma conclusão clara, o que pode gerar insegurança jurídica no funcionamento das instituições.