Príncipe de Liechtenstein barra lei do aborto aprovada pelo parlamento

O príncipe herdeiro Alois de Liechtenstein confirmou que vetará a proposta de legalização do aborto eletivo até a 12ª semana de gestação, mesmo após a aprovação apertada do parlamento por 13 votos a 12. A decisão, fundamentada na proteção da vida desde a concepção, impede a entrada em vigor da medida que também previa o fim da proibição de informações médicas sobre o procedimento no principado.

Como funcionou a votação do parlamento sobre o tema?

O parlamento de Liechtenstein, conhecido como Landtag, enfrentou uma divisão clara ao analisar a proposta de legalização. Com apenas 25 membros, o placar foi de 13 votos a favor contra 12 contrários. Além de aprovar a interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana, os legisladores também rejeitaram, pela mesma margem de diferença, a realização de um referendo popular. Isso significa que a decisão não passará pelo voto direto da população, ficando a palavra final restrita ao poder soberano do príncipe herdeiro, que já manifestou sua oposição firme ao texto aprovado.

Qual é o principal argumento do príncipe Alois para aplicar o veto?

O príncipe Alois defende que a proteção da vida é um princípio jurídico central que não pode ser flexibilizado por regulamentações de prazo. Para o chefe de Estado, ao permitir o aborto em um período determinado, o governo estaria renunciando à sua responsabilidade de garantir o direito à proteção da criança que ainda não nasceu. Ele enfatiza que sua posição não é meramente uma proibição, mas um compromisso fundamental com a vida. O príncipe acredita que, em questões morais tão profundas, o líder do país deve assumir a responsabilidade de tomar decisões claras, mesmo que difíceis.

O que diz a Igreja Católica sobre a situação atual no principado?

O bispo Benno Elbs, que administra a Igreja na região, expressou preocupação com o desequilíbrio social local. Ele ressaltou a contradição de mulheres buscarem hospitais em países vizinhos para dar à luz — já que Liechtenstein não possui maternidade própria há anos — enquanto se discute a criação de meios para interromper gestações. A Igreja defende que a proteção da vida deve vir acompanhada de um suporte real às famílias, como aconselhamento psicológico, redes de apoio social e auxílio financeiro, para que a escolha por manter a gravidez seja verdadeiramente viável e segura para as mulheres.