O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro defendeu em discurso nesta segunda-feira (7) em ato na Avenida Paulista, em São Paulo, o fim da “ditadura” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também disse que vai “declarar guerra aos narcoterroristas deste país”.
O discurso uniu a pressão pelo impeachment de Moraes após o surgimento de fortes evidências de crimes cometidos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com a segurança pública, a principal bandeira de campanha de Flávio.
Até o surgimento de indícios na semana passada de que Moraes tentou defender Vorcaro em troca de um contrato de R$ 131 milhões e diversos benefícios, Flávio vinha evitando choques diretos com ministros do Supremo.
Ao lado de aliados como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Nikolas Ferreira (PL-MG), Flávio fez um dos discursos mais contundentes contra Moraes até o momento na campanha eleitoral. Ele tentou deixar clarop que suas críticas não eram ao STF como instituição. “O ministro Alexandre de Moraes é uma laranja podre que contamina o Supremo Tribunal Federal”.
Flávio abriu sua fala puxando um grito de “Fora, Lula! Fora, Moraes!”.
“Daqui a 20 ou 30 anos nós leremos nos livros de história, nossos filhos lerão nos livros de história, que participamos do resgate do nosso Brasil, que nós acabamos com a ditadura de Moraes, que nós viramos a triste página do Brasil, que é esse governo do PT”, afirmou.
Flávio disse que o “consórcio de Lula com Moraes” vai acabar. Ele também acusou Lula de usar o governo para tentar proteger seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, de investigações de tráfico de influência e disse que o atual presidente não pode ser eleito para não indicar mais quatro ministros do STF.
“Eu vou indicar cinco porque Alexandre de Moraes vai cair”, disse em discurso.
“Eu vou indicar pro Supremo Tribunal Federal, homens e mulheres que sejam contra o aborto, que sejam contra as drogas, que sejam contra ideologias de gênero nas escolas, que respeitem a Constituição, que não persigam adversários políticos e que ajudem a resgatar a credibilidade do Supremo”, afirmou.
No campo da segurança pública, Flávio prometeu ser radical. “A partir de janeiro do ano que vem, eu vou declarar aos narcoterroristas desse país. PCC Vermelho e milícias vão ser classificados como terroristas”, afirmou.
“Você que mora em uma área dominada por esses marginais que tem que pagar pedágio para abrir sua loja, tem que pagar taxa pra sua internet, pro seu gás. Eu vou livrar você desses caras. A partir do ano que vem, você não vai mais precisar olhar pra cara deles, porque eles vão estar presos ou serão neutralizados pela nossa polícia”, disse.
Flávio também prometeu reduzir a maioridade penal, promover a castração química de estupradores e fazer com que ladrões de celular passem ao menos oito anos na cadeia.
O ato reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista na tarde de 7 de setembro. Os minifestantes ocuparam ao menos cinco quarteirões da avenida entre o MASP e o prédio da Fiesp, mesmo com um frio de 14 graus e garoa.
Estavam presentes apoiadores como o pastor Silas Malafaia, Bia Kicis (PL-DF), o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB), entre outros.

