Quando o conhecimento é abundante, o que a educação precisa ensinar?

Nunca foi tão fácil aprender qualquer coisa. As melhores aulas de física do mundo estão no YouTube. Tutores de inteligência artificial explicam cálculos, corrigem redações e conversam em inglês às três da manhã, com paciência infinita e custo próximo de zero. Todo o conhecimento do mundo cabe no bolso de qualquer brasileiro.

Então por que não estamos cercados de gênios da física? Por que, depois de décadas de conteúdo disponível, apenas cerca de 5% dos brasileiros declaram ter algum conhecimento de inglês, segundo estudo do British Council?

A resposta desmonta uma premissa que orientou a educação por mais de um século: a de que o problema era o acesso. Não mais. Os cursos online abertos, que prometiam democratizar o ensino, historicamente apresentam taxas de conclusão muito baixas. No estudo Massive Open Online Course Completion Rates Revisited: Assessment, Length and Attrition, de Katy Jordan, encontraram-se taxas de conclusão de 12,6%, em média.

A educação deixou de ser um desafio de conteúdo. Passou a ser um desafio de engajamento. Aqui cabe um cuidado. “Engajamento” virou a palavra da economia da atenção. Redes sociais engajam. Aplicativos com sequências de dias e medalhas engajam. Mas o engajamento que prende não é o mesmo que o engajamento que transforma.