Como anda a saúde do papa Leão XIV após a cirurgia para tratar câncer de pulmão

Antes mesmo de o papa Leão XIV ser internado no Hospital Gemelli para a retirada do nódulo no pulmão direito, havia uma previsão de que o pontífice só deveria receber alta nesta terça-feira, dia 20. No entanto, mesmo com o diagnóstico de adenocarcinoma maligno, divulgado horas após a cirurgia do dia 13, os médicos resolveram liberá-lo com três dias de antecedência em relação ao cronograma inicial, e no sábado o papa já estava de volta ao Vaticano. Rezou o Angelus com o povo na Praça de São Pedro no domingo – e pareceu bem disposto, a julgar pelo vídeo –, e a audiência geral desta quarta-feira está confirmada. O único cancelamento até agora foi o do descanso semanal habitual que o papa realiza às terças-feiras em Castelgandolfo, para dar sequência à sua recuperação em Roma.

Ainda há muitas coisas que não sabemos, como expliquei ainda na terça-feira passada. O Vaticano não divulgou o tamanho exato do nódulo, nem os resultados de outros exames que avaliam a possibilidade de o câncer ter se espalhado para outras áreas do pulmão ou mesmo outros órgãos. Também não sabemos ainda se Leão XIV precisará de quimioterapia ou radioterapia – até agora, a Sala de Imprensa da Santa Sé mencionou apenas a fisioterapia respiratória, naturalmente necessária para quem acaba de perder boa parte de um pulmão. Que o papa parece estar se recuperando bem é perceptível pelas imagens; que ele esteja totalmente livre do câncer, ou que esteja bem encaminhado para que isso ocorra, só saberemos quando (e se) o Vaticano tornar público o resultado dos exames feitos após a cirurgia.

“Os gânglios do mediastino [o compartimento no centro do tórax, entre os dois pulmões] é que vão dizer se o papa terá ou não indicação de fazer quimio, imunoterapia, radioterapia ou terapia-alvo. Se esses gânglios, retirados por linfadenectomia mediastinal, vierem todos negativos, ele só precisará ser acompanhado com tomografias periódicas, uma daqui a três meses, e depois a cada seis meses por no mínimo cinco anos”, explicou à coluna o cirurgião torácico Paulo Boscardim. O oncologista clínico Bruno Ribeiro Batista, do Centro de Oncologia do Paraná, disse que, tecnicamente, só se fala em cura depois desse período. “Agora, falamos em ‘remissão’ ou ‘proservação’, que é o termo técnico para acompanharmos um paciente depois do tratamento com cirurgia. Se tudo correr bem, a tendência é de que nos próximos anos possamos dizer que ele está curado, mas por enquanto ele está em remissão”, afirmou.

“Do ponto de vista médico, se o papa já foi liberado para fazer uma viagem intercontinental, podemos dizer que a cirurgia foi um sucesso.”

Bruno Ribeiro Batista, oncologista clínico do Centro de Oncologia do Paraná