Ainda sabemos o que significa ser professor?

Sou professor. E talvez por isso uma pergunta tenha se tornado cada vez mais incômoda para mim: afinal, ainda sabemos o que significa ser professor? Durante muito tempo, a resposta parecia relativamente simples. Esperava-se desse profissional o domínio de duas grandes dimensões: conhecer profundamente aquilo que deveria ensinar e saber como ensinar.

Conteúdo e didática. As duas continuam indispensáveis. Não existe boa educação sem professores que conheçam sua área e sejam capazes de transformar conhecimento em aprendizagem. Mas a escola mudou. Os estudantes mudaram. As famílias mudaram. A sociedade mudou. E mudou, sobretudo, aquilo que passamos a esperar do professor.

Nos últimos anos, tenho me dedicado ao estudo da identidade docente, tema que também ocupa lugar central no meu trabalho mais recente. Quanto mais aprofundo essa discussão, mais me convenço de que uma das grandes questões da educação contemporânea é compreender quem é esse professor que a sociedade passou a exigir.

Identidade docente não é apenas um conjunto de competências. Envolve a forma como o professor compreende seu papel, a autonomia que exerce, os saberes que mobiliza, a autoridade que consegue construir, o reconhecimento que recebe e o sentido que atribui ao próprio trabalho.