País conhecido por marcar a história das civilizações, o Egito pode esconder segredos muito maiores sobre seu território.
Uma expedição realizada por cientistas na formação rochosa de Qreiya 3 revela um aquário petrificado, com mais de 500 fósseis marinhos preservados, indicando que o local já foi banhado pelo oceano há milhões de anos.
De acordo com o artigo “Ascensão dos peixes marinhos modernos registrada em um Lagerstätte do Paleoceno inferior” (2026), publicado na revista Science, o registro científico aponta que houve um rápido estabelecimento da vida marinha logo após a extinção dos grandes dinossauros durante o período Cretáceo.
A escavação encontrou quase quinhentos exemplares de fósseis marinhos na rocha na região do Deserto Oriental do Egito. Os animais marinhos teriam surgido no período Paleoceno, há 62 milhões de anos, onde hoje existe um deserto.
Os peixes catalogados na região possuem nadadeiras raiadas, uma linhagem que domina os oceanos modernos. A análise dessas espécies evidencia adaptações evolutivas que esses animais passaram até chegarem nos dias de hoje.
Os paleontólogos conseguiram reconstruir dados importantes sobre o oceano da época por meio da análise sedimentar e geoquímica das rochas egípcias. Esse trabalho permitiu analisar as condições químicas da água e a temperatura média do ecossistema naquele período.
Além disso, o estudo consegue mostrar como ocorreu a transição ambiental entre os ecossistemas antigos e os modernos. Casa fóssil localizado serviu como objeto de estudo de um período tão distante.
Outras regiões do mundo apresentam condições semelhantes: locais onde hoje existem construções, terra e muitas vezes um cenário árido, em algum momento foi um oceano.
É possível encontrar registros semelhantes em regiões como as cordilheiras andinas e até mesmo em regiões mais interioranas de estados brasileiros, como São Paulo e Minas Gerais.


