A infraestrutura não pode depender do calendário eleitoral

A cada eleição, o Brasil volta a discutir quais são as pautas prioritárias da nação: políticas públicas, programas sociais e propostas de governo. Essa lógica pode funcionar para políticas de curto prazo, mas é incompatível com a infraestrutura. Rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, sistemas de energia, saneamento, telecomunicações e infraestrutura digital exigem planejamento, capital e execução que atravessam diferentes governos. O país precisa, portanto, deixar de tratar esses investimentos como marcas de uma gestão e passar a reconhecê-los como uma agenda permanente de Estado.

A infraestrutura determina quanto tempo e dinheiro uma empresa gasta para produzir, transportar e comercializar seus produtos. Quando uma rodovia está deteriorada, uma ferrovia não chega ao porto ou um terminal opera no limite de sua capacidade, o prejuízo não fica restrito ao setor de transportes. Ele aparece no preço dos alimentos, na competitividade da indústria, na capacidade de exportação, na atração de investimentos e, por fim, mas não menos importante, no crescimento econômico.

O economista Claudio Frischtak estima que o Brasil deveria investir entre 4% e 4,5% do Produto Interno Bruto em infraestrutura. O país, no entanto, permanece próximo de 2%, patamar semelhante ao identificado há mais de uma década e insuficiente para modernizar os ativos existentes e superar os gargalos acumulados.

O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 calcula que seriam necessários aproximadamente R$ 2 trilhões em projetos para atender às necessidades nacionais, dos quais R$ 1,1 trilhão estaria concentrado nas ferrovias e R$ 511 bilhões nas rodovias. Segundo o Barômetro da Infraestrutura, elaborado pela EY-Parthenon em parceria com a Abdib, os investimentos públicos e privados no setor devem ter alcançado cerca de R$ 280 bilhões em 2025, novo recorde da série histórica, ante R$ 272,3 bilhões em 2024.