Como a arquitetura nos ajuda a compreender a essência da religião

Era um jovem estudante universitário quando li o livro Saber ver a Arquitetura, de Bruno Zevi (1918-2000). É um livro bem escrito, rico, claro e objetivo – uma leitura deliciosa. A tese central do autor é que o espaço interior constitui a essência da arquitetura. É esse espaço – que inclui e envolve o homem, onde ele vive – que distingue a arquitetura das outras artes, como a pintura e a escultura.

“A bela arquitetura será a arquitetura que tem um espaço interior que nos atrai, nos eleva, nos subjuga espiritualmente […]. O importante, porém, é estabelecer que tudo o que não tem espaço interior não é arquitetura”. A apreciação da arquitetura deverá ser feita, principalmente, a partir da qualidade do seu espaço interior, mas sem desconsiderar seus valores “econômicos, sociais, técnicos, funcionais, artísticos […] e decorativos”.

Em um de seus livros posteriores, Architettura in Nuce, Zevi reafirma o espaço interior como essência da arquitetura e aprofunda a discussão. O espaço arquitetônico “não é fixo nem rígido: é o espaço-tempo que se experimenta na leitura dinâmica das sequências arquitetônicas”, das “infinitas sucessões mediante as quais se pode fruir um espaço”.

Há algumas ideias fundamentais e interdependentes apresentadas por Zevi. 1) Cada arte possui uma qualidade própria e necessária – sua essência. É esta qualidade que a distingue das demais artes; 2) Está implícita a ideia de que a essência de uma arte lhe será exclusiva; 3) A avaliação crítica de uma arte não poderá desconsiderar as suas demais qualidades, ainda que seja justamente a essência o fator de convergência dessas qualidades.