Madame Satã: entenda se boate por ser responsabilizada por festa de Vorcaro

A boate Madame Underground Club, conhecida como Madame Satã, tem sido apontada como o local que recebeu uma festa organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, em 2023.

O caso veio à tona na noite da última quinta-feira (10), depois da revista Piauí publicar uma reportagem sobre a festa promovida por Vorcaro no dia 31 de outubro, na casa de shows paulista.

A revista menciona que o evento teria sido organizado pelo ex-ministro Fábio Faria (PP) e pelo promoter Tiago Polo, com a suposta presença de algumas autoridades, como Pacheco e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). À revista, o atual presidente do Senado negou ter participado do evento.

Já à CNN Brasil, Pacheco também negou a participação e afirmou que, na data, estava em Brasília, presidindo uma sessão na Câmara Alta do Congresso até o período da noite.

Diante as informações divulgadas, a boate Madame Underground Club publicou, na sexta-feira (11), em sua rede social, uma nota sobre o ocorrido. Segundo a equipe do local, “nos dias em que a casa não opera com sua programação cultural habitual, suas instalações ficam disponíveis para locação com finalidades diversas”.

Na data em que teria acontecido a festa de Vorcaro, a nota explica que a Madame foi “locada para uma agência/produtora de eventos terceirizada”, sem “negociação direta entre a administração do clube e a pessoa física mencionada nas reportagens recentes”.

O texto reforçou ainda que a organização, a lista de convidados, o teor e a condução do evento são de responsabilidade exclusiva dos contratantes e produtores. Veja nota na íntegra: 

Boate pode ser responsabilizada?

À CNN Brasil, o advogado Dr. Glauber Bez, especialista em direito civil e criminal, explicou que a boate não possui qualquer responsabilidade civil ou criminal em relação aos fatos investigados.

O advogado enfatiza que o local apenas firmou um contrato de locação comercial padrão com uma produtora terceirizada, não mantendo qualquer relação direta com os indivíduos sob investigação. Juridicamente, o estabelecimento argumenta que a responsabilidade pessoal não pode ser transferida ao locador pelas ações independentes de um locatário ou de seus convidados.

Além disso, ele destaca que a transação, realizada a preço de mercado, ocorreu muito antes de quaisquer alegações se tornarem públicas, comprovando que o clube agiu de boa-fé. 

História da boate

A casa de show é um símbolo da cultura underground paulistana e reúne, desde a década de 1980, as mais diversas tribos da cultura alternativa da cidade de São Paulo. Localizado no bairro do Bixiga, na região central da capital paulista, o local foi batizado em homenagem à Madame Satã, figura emblemática da boemia carioca e símbolo da vida noturna do bairro da Lapa.

O auge do Madame foi nos anos 1980, quando a boate surgiu na onda do new wave e, ao mesmo tempo, abraçava outros gêneros como uma espécie de discoteca. Nomes gigantes da cultura paulistana passaram por lá, como Rita Lee, Marisa Orth, João Godo e Kid Vinil, além de bandas como RPM, Titãs, Ira! e Legião Urbana, que fizeram alguns de seus primeiros shows por lá.

Após um longo tempo fechada, a casa noturna voltou à ativa em 2012, usando apenas o nome de Madame e se tornando um patrimônio histórico da cidade de São Paulo. Atualmente, a boate conta até com uma hamburgueria e possui espaço de shows com capacidade para 350 pessoas.

O local voltou a ocupar uma posição relevante na cena underground de São Paulo e hoje recebe eventos de música gótica, pós-punk, dark wave e EBM.

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