Ex-chefe do BC recebeu R$ 3,8 milhões de Vorcaro por projeto social

O ex-chefe de supervisão do Banco Central Belline Santana recebeu R$ 3,8 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, entre outubro de 2023 e dezembro de 2025, por sua participação em um projeto de capacitação de jovens periféricos chamado “Jovens Potentes”.

As informações constam do depoimento prestado à Polícia Federal por Leonardo Augusto Furtado Palhares, responsável pela consultoria jurídica do projeto.

Segundo Leonardo, a iniciativa foi idealizada por Belline, que queria desenvolver ações de capacitação para jovens de comunidades periféricas. O advogado foi apresentado ao diretor do BC por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e amigo de infância de Leonardo.

À PF, Leonardo afirmou que não participou das negociações sobre os valores pagos a Belline. Segundo ele, os termos financeiros do projeto foram tratados diretamente entre Zettel, Vorcaro e o diretor do Banco Central.

Os pagamentos eram custeados por Vorcaro e, de acordo com Leonardo, saíam da Moriah Asset, empresa ligada ao Banco Master. Os valores passavam pela conta do escritório de advocacia de Leonardo e, posteriormente, eram transferidos para a conta de pessoa física de Belline por meio de TEDs e Pix. Ao todo, foram R$ 3,8 milhões pagos ao diretor do BC durante o período.

Leonardo afirmou à PF que nunca imaginou que Belline pudesse estar envolvido em algum esquema. Segundo o depoimento, ele considerava o diretor uma pessoa “íntegra” e “muito simples” e não viu irregularidade no contrato.

Conforme já mostrou a CNN Brasil, mensagens obtidas pela PF entre Zettel e Vorcaro mostram que a dupla teve o cuidado de não fazer com que os pagamentos a Belline saíssem direto do Banco Master.

Em 28 de dezembro de 2023, Zettel avisa a Vorcaro por mensagem que era dia de pagamento a Belline. Vorcaro questiona se o pagamento está saindo diretamente do Banco Master, ao que recebe a resposta: “Não, óbvio que não”. Posteriormente, o banqueiro ressalta que o pagamento não poderia envolver o banco mesmo que “indiretamente”.

Veja o fluxo de pagamentos, segundo a PF:

A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto.

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