Incerteza ronda migrantes após eleição de partido nacionalista na Alemanha

A chefe da Rede Estadual de Organizações de Migrantes da Saxônia-Anhalt, Undra Dressler, disse nesta segunda-feira (7) que sua organização estava em um clima de desânimo e grande incerteza após as eleições estaduais, realizadas no dia anterior.

O partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) saltou para o primeiro lugar no estado do leste alemão, embora não tenha alcançado a maioria absoluta.

“Há anos, pessoas com histórico de migração na Saxônia-Anhalt vivenciam discriminação e racismo diariamente”, disse Dressler à Reuters-TV.

“Isso não é novidade para nós. A questão é: como isso vai evoluir?”, completou ela.

Uma pesquisa realizada pela organização indicou que mais de 80% dos entrevistados estavam considerando deixar a Saxônia-Anhalt.

“No fim das contas, há muitas pessoas em nossas comunidades que dizem claramente: ‘Já fizemos as malas e temos planos concretos, e vamos deixar o estado em breve’ — ou, em alguns casos, já o fizeram”, declarou Dressler.

O AfD quer reduzir o número de migrantes na Saxônia-Anhalt.

O resultado coloca um partido de extrema direita à beira de chegar ao poder em nível estadual pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

A AfD obteve 44,4% dos votos, enquanto os conservadores do chanceler Friedrich Merz ficaram bem atrás, com 18,3%. Os social-democratas, de centro-esquerda, e os Verdes, de orientação ambientalista, também superaram o percentual mínimo necessário para conquistar cadeiras no Parlamento, segundo uma pesquisa de boca de urna da emissora ARD.

Com a apuração em andamento, ainda não estava claro se a AfD havia obtido votos suficientes para conquistar maioria absoluta no Parlamento. Mas a importância política mais ampla da eleição, que teve comparecimento superior a 80%, segundo a emissora ZDF, era evidente.

“Fizemos história neste estado”, disse Ulrich Siegmund, candidato da AfD ao cargo de primeiro-ministro da Saxônia-Anhalt, de 35 anos. Ele atraiu milhares de pessoas para seus comícios de campanha e repetidamente apresentou uma vitória no estado como o primeiro passo para conquistar o poder em âmbito nacional nas eleições federais previstas para 2029.

O partido quer restringir fortemente a imigração, restabelecer os laços com a Rússia, abandonar o euro e promover um patriotismo alemão sem constrangimentos.

O resultado representa um revés significativo para Merz, cuja aprovação pessoal caiu a níveis historicamente baixos, enquanto os eleitores se afastaram tanto das reformas planejadas por ele para reanimar a economia alemã, que enfrenta um ritmo lento de crescimento, quanto de seu estilo pessoal de comunicação, marcado por frequentes gafes.

A copresidente da AfD, Alice Weidel, classificou o resultado como “histórico” e afirmou que ele deu ao partido um mandato claro para governar. No entanto, pode ser necessário um longo período de negociações para formar uma coalizão antes que uma maioria clara seja estabelecida.

Os partidos tradicionais se recusaram a trabalhar com a AfD, que foi classificada como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha. No entanto, o partido pode encontrar um parceiro no BSW, de extrema esquerda, caso a legenda consiga superar o percentual mínimo necessário para entrar no Parlamento.

Embora a Saxônia-Anhalt, que anteriormente fazia parte da Alemanha Oriental comunista, seja um dos menores estados alemães, com uma população de pouco mais de 2 milhões de habitantes, o resultado destaca o rápido avanço da AfD desde sua criação, em 2013.

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