esquerda e direita unidas contra Moraes

Martin Luther King tinha e eu também tenho um sonho. Um sonho ridículo. Idiotamente idealista, como todos os sonhos do tipo. Será que falo ou não falo? Falo. Até porque quem chegou até aqui já leu no título e neste instante talvez esteja ansioso para rir da minha credulidade. Eu tenho um sonho: ver direita e esquerda deixando momentaneamente as diferenças de lado e se unindo contra esse que é o mal maior do Brasil: Alexandre de Moraes. Sei que a chance de meu sonho se tornar realidade é pequena. Avisei que era um sonho ridículo. Mas não custa tentar.

Afinal, um Alexandre de Moraes só é possível porque, em primeiro lugar, ele é uma anomalia autoritária numa sociedade obcecada por um ideal inatingível de democracia. Curioso, né? É um louco que, fascinado pela própria imagem falsamente heroica e embriagado pelo poder, chegou onde chegou e hoje faz o que faz e se acha no direito de fazer. Em segundo lugar, porque ele virou isso depois de perceber um vácuo de poder a ser ocupado num Brasil dividido. Alexandre de Moraes percebeu que um dos lados estava disposto a tolerar sempre um pouquinho mais de tirania. Só para ver o outro lado esmagado.

Fora, Moraes!

Qual lado é qual nessa história a gente sabe. Mas, no momento, não importa. A direita, nos últimos anos massacrada por Alexandre de Moraes, tem que ser humilde e reconhecer que não pode derrotar esse monstro sozinha. Tem que pedir ajuda. A esquerda, por sua vez, tem que perceber que a aliança de Alexandre de Moraes com o petismo é circunstancial e frágil. Uma vez consolidado o poder totalitário dele, a esquerda será descartada para que prevaleça apenas e tão-somente Alexandre de Moraes. E aí eu pergunto aos esquerdistas que me leem: foi para isso que os ídolos de vocês compuseram músicas de protesto? Para que o próprio presidente fosse controlado por um ministro do STF?

Brasileiros de bem, vocês existem e são de todas as matizes. Tem gente boa na direita e na esquerda, sim. Lulistas, petistas, progressistas, socialistas. Liberais, conservadores, bolsonaristas. É hora de dar a mão ao coleguinha que faz o L ou veste a camisa da seleção, e se mobilizar em todas as frentes possíveis a fim de derrotar um homem que não vê limites para impor a sua vontade. Isso não significa, claro, ignorar as diferenças. Pelo contrário, significa lutar para que essas diferenças continuem existindo em liberdade. Para que ideias possam ser combatidas com ideias. Você topa? Então puxa bem o ar e grita comigo: fora, Moraes!