quando o voto vale mais que o currículo

Após o segundo turno das eleições de 2026, começaram a circular nas redes sociais publicações de influenciadores, políticos e empresários incentivando a demissão de empregados que teriam votado em um ou outro candidato à Presidência.

O que leva alguém a demitir um funcionário simplesmente por seu candidato? Algumas hipóteses podem ser levantadas. O empregador pode atribuir ao funcionário as características que associa ao candidato, extravasar a insatisfação política numa espécie de catarse ou tentar, por meio de pressões econômicas, fomentar alguma mudança de mentalidade na população em geral. Em qualquer dos casos, contratações e demissões motivadas pela opção de voto levantam questões de ordem econômica, moral, legal e política.

Um prejuízo ao próprio mercado

Priorizar a opinião política como critério para posições profissionais em que a intenção de voto nada tem a ver com as qualidades e capacidades necessárias para exercê-las traz o risco de diminuir a qualidade da prestação do serviço. Milton Friedman, em Capitalismo e Liberdade, apontou que o empresário que discrimina por razões alheias à produtividade arca com o custo dessa escolha, e que o mercado competitivo tende a penalizar quem a faz. Ao se adotar um critério alheio ao trabalho realizado, prejudica-se a eficiência econômica.

Quando o critério para a seleção de uma vaga de emprego se torna o candidato preferido, as relações comerciais e a produtividade tendem a ser afetadas, sem qualquer garantia de que as qualidades do candidato preferido estejam presentes no funcionário, tampouco de que as falhas atribuídas a seu opositor estejam ausentes. Ao mesmo tempo, a prática induz potenciais funcionários a ocultarem ou mentirem sobre o voto para conquistarem uma posição, minando justamente a confiança que o empregador pretendia assegurar.

“Eu sou absolutamente contra demissões em razão de ideologia política. Já tive excelentes funcionários e sócios de diferentes ideologias”, afirma Samer Agi, ex-juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e empresário.